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Ano Novo?

O Brasil de hoje é uma infâmia de atrasos, um país de tempos perdidos

Roberto DaMatta, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2022 | 03h00

O ano passou de 21 para 22, mas não conseguimos controlar as velhas e vergonhosas roubalheiras, o machismo, o feminicídio e a violência miliciana e policial. Ademais, aumentamos a taxa de racismo estrutural e estruturante, do “você sabe com quem está falando?” e, para completar, voltou a inflação em paralelo a uma polarização política burra, irracional e negacionista que, demandando a exclusão do outro é, em todo tempo e lugar, leva o timbre do reacionarismo fascista. 

O calendário muda, nas o estilo aristocrático e elitista antirrepublicano e absolutista que está na Presidência e em todo lugar — do Congresso às salas de aula, do jornal a televisão, do templo a universidade, permanecem atrapalhando nossas vidas.

Num chavão, o “ano novo” realiza a sua costumeira malandragem de mudar não mudando. Continuamos a pensar o tempo cronométrico, ingenuamente imaginando que quanto mais velhos mais “ficamos adiantados” quando, na verdade, o Brasil de hoje é uma infâmia de atrasos. É um país de tempos perdidos... 

Como falar num novo ano se o acontecimento básico dessa inauguração começa com uma campanha eleitoral que repete, a anterior negando o devir histórico? 

Estou de saco cheio de messias, magos, curadores, salvadores da pátria, colunistas e religiosos carismáticos. Nosso panteão de salvacionistas chegou no limite. 

O colunista felizmente cancelado, dono dessas mal traçadas pensa que para termos de fato um novo ano e não um “Ano Novo” formal e ritualístico, precisamos resgatar uma ética de responsabilidade e de honra. Temos de tirar da latrina princípios que dizem não as nossas ambições escusas e ao nosso condescendente “bom-mocismo” que concilia Deus e Diabo; que confunde direita com esquerda, e cabeça com (sejamos educados) com o traseiro, quero desejar a todos os meus leitores o feliz deste novo tempo que estamos começando coletiva e individualmente a viver. 

Que todos vocês sejam felizes pelo imenso e milagroso poder da felicidade. É abominável ver a repetição da “luta” Lula/Bolsonaro só que no “novo ano” eles estão muito mais parecidos como inventores de fábulas negacionistas. Nossos postulantes a “supremos magistrados da nação” — hoje uma nação que precisa de muita água benta (e sanitária) para livrar-se de sua danação. E nem um nem o outro vai livra-lo de sua sina de misturar burocracia-legal-processualística, compadrio regado a mandonismo, e carisma para dar e vender...

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