Anna Bella Geiger expõe obras em arquipélago

Anna Bella Geiger já fez - e ainda faz - de tudo: desenhos, pinturas, fotografias, vídeos, gravuras, e assim por diante. Sua obra é plural. Arquipélago foi a palavra que o crítico e curador espanhol radicado no Brasil Adolfo Montejo Navas usou para delimitar a produção desta artista carioca nascida em 1933 e sua exposição retrospectiva que, depois do Rio, chega a São Paulo e será inaugurada hoje à noite no Instituto Tomie Ohtake, assim como a instalação inédita que Ana Maria Tavares criou para exibir no mesmo local. Obras em Arquipélago é o título que Navas deu para a mostra de Anna Bella, uma mostra retrospectiva, mas não cronológica, que vai misturando diversas obras da artista em torno de três segmentos: Territórios, Passagens e Situações. "Arquipélago: conjunto de ilhas unidas por aquilo que as separa", escreve o curador no texto da exposição que esteve até outubro do ano passado no Paço Imperial. A riqueza do trabalho de Anna Bella, segundo Navas, está no fato de sua obra respirar sempre com os novos tempos. Seus trabalhos "conseguem estabelecer novas equações entre si", estão "mais para uma circularidade que para um destino fixo e imóvel". Em Territórios, estão os trabalhos realizados a partir da pesquisa da artista em torno da cartografia, iniciada na década de 70 e presente até hoje, como se pode ver em obras inéditas. Explorando o mapa-múndi, além do forte caráter político e sempre atual, a artista também nos apresenta obras em que há misturas de suportes. São gravuras, são objetos em que ela coloca os mapas distorcidos feitos com metal, cera, pigmentos numa reflexão não só política como acerca da "poética do espaço artístico". Mas como já disse, Anna Bella não quer ser apenas conhecida como "artista cartográfica". Nesse segmento, Navas faz uma interessante relação desses trabalhos com mapas e com as gravuras que a artista realizou na década de 60, da série de "viscerais e entranhas". São obras em que ela toma a anatomia interna de corpos. São os "territórios do corpo", "território nosso", "continentes internos", ao lado dos territórios do mundo. Como diz Navas, as obras devem ser vistas de perto, deve-se mergulhar nelas - algumas delas são realmente diminutas, como em que coloca um mapa dentro de uma concha. Os territórios devem ser descobertos aos poucos, "interior e exterior cada vez mais se fundem", acrescenta. Depois, há o segmento das Passagens. São fotografias conceituais, sobre metamorfoses, e pinturas realizadas nas décadas de 80 e 90. As mais antigas foram feitas sobre suporte oval, mas como frisa o curador, não se encaixam numa idéia de volta à pintura, em voga naquela década. A artista, que em 1974 foi uma das pioneiras da videoarte, participou em 1953 da primeira mostra de arte abstrata no País, agrega e avança sempre em direção a novas experiências. Suas questões estão sempre se movendo, diz Navas. Ele lembra, no entanto, que tanto nessas pinturas como nas do fim dos anos 90 vemos elementos que perpassam muitas outras obras, como "arquétipos": figuras como colunas, territórios diluídos, espaços vazios ( "algo de metafísico"). E, por fim, Situações. São obras de sentido político, direcionadas ao período ditatorial, mas que mesclam humor. Vídeos, fotomontagens conceituais, livros de artista, um conjunto no qual há sempre um questionamento sobre o fazer artístico. Anna Bella Geiger e Maria Tavares. Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, Pinheiros, 6844-1900. 11h/20h. Grátis. Até 5/9. Aberrtura hoje, às 20h.

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