Aniversário de São Paulo. Aniversário de Tom Jobim

O maestro faria 87 anos neste sábado; em dezembro serão duas décadas de sua morte

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2014 | 10h40

Serão, neste sábado, 460 anos de São Paulo, seriam 87 anos de Tom Jobim. Ironicamente, ou apenas curiosamente, o compositor maior da música brasileira nasceu no dia de aniversário da cidade vizinha à sua, o Rio de Janeiro. Tom, que já mereceria um dia especial com seu nome, não deverá ser lembrado pela programação paulistana de shows mas deve ganhar homenagens até o próximo 8 de dezembro, quando serão completados 20 anos de sua morte. Perdas jamais devem ser comemoradas, mas efemérides como essa valem de pretexto para colocar sob os holofotes a vida e a obra de um maestro de tamanho quilate. 

No livro 1973 - O Ano que Reinventou a MPB, que acaba de ser lançado, o crítico musical Roberto Muggiati resume Tom Jobim ao falar das histórias que cercam sua obra Matita Perê. Disco difícil, mais orquestral do que cantado, Matita teve seu potencial de divulgação nas rádios ponderado pelo próprio parceiro de Tom na faixa título do álbum, Paulo Cesar Pinheiro. Paulo alertou Tom da dificuldade que Matita Perê teria para tocar nas emissoras. "É meio sinfônica e tem tempo demais para o rádio, quase oito minutos", disse o sambista. A frase que Tom devolveria rápido resumiria boa parte de sua vida. "Essa aí não é pra agora, é para adiante."

O frasista Tom Jobim jogava tão bem com as palavras faladas quanto com as partituras. Para cada Garota de Ipanema que criava, deixava cinco pensamentos para a posteridade. "O Brasil não é para principiantes". "Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz." "O dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, os diamantes, da platina e das propriedades." "Nada melhor para a saúde do que um amor correspondido." "Nenhuma situação é tão complicada que uma mulher não possa piorar." "Quando me casei descobri a felicidade. Mas aí já era tarde demais." Sim, Tom Jobim era um homem feliz. E com um humor que era a cara de São Paulo. 

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