Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

‘Animada’, Regina Duarte faz selfies e marca reuniões na Secretaria de Cultura

A atriz, no entanto, não teria feito longos discursos ou dado sinais claros sobre se 'casará' com o governo – o que, no jargão adotado por ela e Bolsonaro, significa aceitar o cargo

Mateus Vargas e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 19h49


BRASÍLIA - Convidada para comandar a cultura no governo Jair Bolsonaro, a atriz Regina Duarte pareceu “animada”, fez selfies, conheceu possíveis colegas de trabalho e marcou reuniões de trabalho, segundo pessoas que acompanharam o primeiro dia de "teste" dela em Brasília.

A atriz, no entanto, não teria feito longos discursos ou dado sinais claros sobre se “casará” com o governo – o que, no jargão adotado por ela e Bolsonaro, significa aceitar o cargo de chefe da Cultura.

Regina chegou a Brasília por volta do meio dia. Ela foi recebida por assessores do Palácio do Planalto no aeroporto e deixou o local por uma saída alternativa, restrita para funcionários.



A atriz foi convidada na última sexta-feira, 17, para assumir o comando da cultura no governo Bolsonaro. Ela pode ocupar a vaga que era do dramaturgo Roberto Alvim, demitido, na mesma data do convite, por parafrasear num discurso o nazista Joseph Goebbels.

O convite a Regina abriu discussões no governo sobre recriar o Ministério da Cultura, o que ela apoia, segundo pessoas que acompanham as discussões, ou subordinar a pasta ao Palácio do Planalto.

Perguntada ao desembarcar sobre como o “noivado” pode virar um “casamento” com o governo, Regina disse que a questão é “complicada”. “Difícil”, emendou. Ela evitou comentar sobre eventual mudança no status da Secretaria de Cultura. “Não sei, mas não acho importante falar disso neste momento”, avaliou a atriz. A pasta hoje está sob o guarda-chuva do Ministério do Turismo.

Regina disse ainda ter “uma porção de coisa” para ajustar na área cultural, sem detalhar.

A atriz foi direto do aeroporto ao Palácio do Planalto, onde almoçou com o presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o jornalista Alexandre Garcia. Regina também se encontrou no Planalto com os ministros Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo).

A atriz participou, junto dos ministros, de uma reunião para ser apresentada ao organograma da Secretaria de Cultura. Após a passagem dela pelo Planalto, o presidente publicou nas redes sociais uma foto abraçado a atriz e escreveu: “O noivado continua”, sinalizando que ainda não está definida a entrada de Regina no governo.



A atriz seguiu do Planalto para a Secretaria Especial de Cultura, um “puxadinho” no quarto andar do prédio que também abriga parte dos ministério do Meio Ambiente e da Cidadania. Ela entrou no edifício pela garagem, despistando a imprensa, acompanhada do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Regina fez um tour de cerca de 2h pelo prédio da Cultura, onde conheceu os secretários e foi “tietada” por funcionários. Ela não teria comentado sobre ações que deseja levar à frente na cultura, caso aceite entrar no governo, mas marcou reuniões já para quinta-feira, 23, segundo pessoas que acompanharam a visita.

A assessoria de Regina e o governo não informam quais devem ser as próximas agendas da atriz em Brasília. No primeiro dia de “teste” no governo, ela entrou e deixou os edifícios por saídas alternativas, sem falar com a imprensa. 

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