Animações são novas estrelas

Um grupo de brasileiros desembarca em Nova York no dia 15 de fevereiro, não exatamente em busca de compras na Times Square. Na ocasião, 37 profissionais de produção independente, em nome de 27 empresas brasileiras, representados pela Brazilian TV Producers (BTVP), estarão na Kidscreen, a mais importante feira de animação do calendário mundial. "Hoje, 60% das produtoras associadas são de animação", informa o presidente da APBI-TV (BTVP no exterior).

O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h07

Caçula como gênero no audiovisual brasileiro, a animação não enfrenta as barreiras da língua portuguesa, pois pressupõe facilidade na dublagem. E ainda há as vantagens do licenciamento de produtos, um grande negócio, que já rende dividendos aos produtores em todos os segmentos, de papelaria a brinquedos e roupas, antes mesmo da exibição. Nessa categoria estão Peixonauta, Meu Amigãozão, Escola Pra Cachorro, Princesas do Mar e uma nova versão do Sítio do Picapau Amarelo.

"Os primeiros passos para as produções independentes começaram a aparecer a partir da TV paga, mas aí a gente chegava nas feiras internacionais com o produto e eles queriam saber por que esse produto não estava no ar na TV aberta do nosso país", lembra Kiko Mistrorigo, da TV Pinguin, produtora do Peixonauta, exibido no Brasil pelo SBT. "Acabou acontecendo um movimento de fora para dentro, e a TV aberta brasileira só foi prestar atenção nesse movimento depois que outros países já tinham feito isso."

A Turma da Mônica é um caso clássico desse diagnóstico. Mesmo sendo sucesso como gibi, o título animado chegou à Itália e outros países antes de ser aceito pela TV brasileira e, ainda assim, sob incentivo inicial do internacional Cartoon Network, para só depois desembarcar na Globo.

Meu Amigãozão é uma coprodução da 2Dlab com o Canadá, também no ar aqui pelo Discovery Kids e já exibido em países como EUA, Coreia, Nova Zelândia, Catar, Tailândia e Turquia, além do próprio Canadá. "Foi um acordo entre as Ancines dos dois países, e o Canadá se ocupou da maior parte do roteiro, da gravação das vozes em inglês, enquanto a gente criava artes, cenários, personagens animados e story board para 52 episódios", conta Andrés Lieban, da 2DLab. Tanto Amigãozão como Peixonauta já têm segunda temporada em andamento e preparam longa-metragem para o cinema. Outra coprodução com o Canadá é Vivi, nova animação da Mixer, que faz Escola Pra Cachorro, também com os canadenses e vista na Nickelodeon, além de O Sítio do Picapau Amarelo animado.

No fim de fevereiro, após o carnaval, será a vez de atrair os chamados players internacionais (compradores de audiovisual) para o Rio de Janeiro, onde acontece a 2.ª edição do Rio Content Market, evento nascido no ano passado, sob organização da ABPI-TV para mostrar a exibidores e distribuidores o que é que o Brasil tem na tela, e não só para inglês ver. / C.P.

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