Anima Mundi vem aí; siga quem entende do assunto

O melhor da 18.ª edição do Anima Mundi, segundo importantes animadores brasileiros

23 de julho de 2010 | 06h00

'Passeio de Domingo', curta em stop motion do português José Miguel Ribeiro. Foto: Divulgação

 

Aline Stivaletti, Ilana Lichtenstein e Luiza Pereira

 

SÃO PAULO - Se a vida fosse um desenho animado, passarinhos voariam ao redor da sua cabeça quando você se deparasse com a programação do 18º Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi. A mostra, que começa na 4ª, 28, pode ser mesmo atordoante. São 452 filmes, de curta e longa-metragem, em apenas cinco dias.

 

 

Escolhemos alguns profissionais brasileiros que estão muito bem nesse mercado (são 108 filmes nacionais na programação) para recomendar o que já viram em outras mostras pelo mundo e contar o que não vão perder nesta edição do festival. Tem animação convencional, de colagens, de massinha... Inovações e tradições do mundo inteiro, enfim. (Repare bem nos japoneses e franceses, que foram quase uma unanimidade entre os nossos entrevistados.) Mas sinta-se livre também para fazer suas apostas. Mesmo animadores profissionais confessam que, às vezes, escolhem uma sessão só pela pequena imagem de um filme no catálogo.

 

 

 

Made in Japan - Walbercy Ribas, criador do personagem Grilo Feliz - lançado no Anima Mundi -, recomenda filmes feitos do outro lado do mundo. "As animações japonesas são ótimas", afirma. "O Japão não prima pela animação ou pelo desenho, mas as histórias são sempre boas. Eles trazem ao público um mundo surreal, que é muito interessante."

 

À francesa - ‘As Princesas do Mar’, criadas por Fábio Yabu, é um desenho para crianças. Mas ele afirma que a animação não deve ser vista apenas como uma atração infantil. "O Anima Mundi ajuda a tirarmos essa ideia da cabeça", diz. Para Yabu, os filmes franceses da programação merecem a sua atenção. "O de Michel Ocelot, principalmente", indica. Anotou?

 

'Eu Queria ser Um Monstro', curta brasileiro de Marão. Foto: Divulgação

 

Siga o mestre - O estúdio de Mauricio de Sousa é tido como um centro de formação. Entre os ‘professores’, o diretor de animação J. Márcio Nicolosi, que trabalha lá desde 1974, está envolvido em projetos como as versões de Penadinho e Horácio em 3D. Além de prestar atenção nos espanhóis, ele considera imperdível o que vem do Canadá. Como os filmes de Diego Maclean e de Cordell Barker (que estará por aqui).

 

Dois pais - Em 2006, Paolo Conti e Arthur Medeiros Nunes ganharam o prêmio do júri do Anima Mundi com o curta ‘Minhocas’. O sucesso foi tanto que o anelídeo estrela agora um longa previsto para 2011. No festival, Conti recomenda as animações tchecas - que sempre o encantaram. E Nunes, as argentinas e as brasileiras.

 

Santa paciência - Encantado com os desenhos japoneses e a "paciência chinesa" que as animações 2D exigem, o roteirista Luiz Bolognesi (‘As Melhores Coisas do Mundo’) se aventura nesse universo com o longa ‘Lutas’ - previsto para 2011. "Posso colocar no roteiro uma guerra entre 400 índios e o produtor não me mata. É uma viagem sem limites". Frequentador assíduo do Festival, ele já viu e adorou ‘Vida Maria’, de Márcio Ramos. "Em meio ao cascalho de exercícios, há diamantes como esse."

 

Multiuso - Escritora, publicitária e animadora. Essas são algumas das funções que Mariana Caltabiano acumula. Ela participou de duas edições do Anima Mundi. Em 2009, apresentou um longa com o personagem Gui Estopa. Neste ano, Mariana indica Alê Camargo, que dirigiu com Camila Carrossine o curta ‘Os Anjos do Meio da Praça’.

 

‘Os Anjos do Meio da Praça’, dirigido por Alê Camargo e Camila Carrossine. Foto: Divulgação

 

Com jeitinho - Ao ligar a televisão, as crianças aprendem a preservar o meio ambiente com o Peixonauta, personagem criado por Celia Catunda e Kiko Mistrorigo. Para ele, a animação brasileira é rica, porque carrega características do país. "Os personagens são caricaturais e a dublagem é muito boa. O Brasil demonstra muita paixão nos seus projetos - somos vencedores", diz Mistrorigo. Celia e Kiko sempre participaram do Anima Mundi - em 2005, foram premiados pelo júri profissional.

 

Os curadores - Eles escolheram 452 filmes entre 1.500 inscritos. Aída Queiroz, Marcos Magalhães, Cesar Coelho e Lea Zagury (juntos, aí em cima, em uma foto de 1993) começaram do zero. Os curadores do Anima Mundi tiveram de ver mais de 1,5 mil filmes para montar um festival com menos um terço deles. O Divirta-se conversou com Aída sobre esse trabalho animado e cansativo. Quais critérios que vocês usam para chegar à seleção final? Partimos da qualidade, direção técnica, trilha sonora e, principalmente, do roteiro. Algum país cuja produção a surpreendeu? A África do Sul, com documentários incríveis. Na programação, o que mais você destacaria? Além da mostra da Cal’ Arts e a sessão ‘Retrospectiva 18 Anos’, os debates do Papo Animado também estão imperdíveis.

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