Anima Mundi debate lei sobre animação brasileira

A animação brasileira cresceu e amadureceu, como mostra a 11.ª edição do Anima Mundi, que ocorre atualmente no Rio e, a partir da semana que vem, em São Paulo. Agora, só falta aparecer. E um projeto de lei do deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), determina que parte da programação de desenhos animados exibida nas emissoras de televisão brasileiras, abertas ou pagas, seja produzida aqui. No início, seriam 10% do total, aumentando anualmente até chegar a 30%. A proposta será debatida hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, dentro do Fórum Brasil, do Anima Mundi. Em tese, os aplausos são gerais, mas até o autor do projeto faz ressalvas. "Não sei se a produção nacional supre essa exigência, mas sem demanda ela não cresce. Não inventei nada, copiei o modelo francês, criado há 20 anos, com excelentes resultados," diz VicentinhoA presidente da Fundação Roquete Pinto, Beth Carmona, que coordena TVs Educativas, com pelo menos quatro horas diárias de programação infanto-juvenil, elogia o projeto, mas não acredita ser possível cumpri-lo já. "Não há produção suficiente, pois não dá para todo mundo exibir a mesma coisa", adverte Beth. Na hora de captar, a animação brasileira concorre com documentários e living action nas mesmas condições, apesar de sua produção obedecer regras diferentes. "Na nossa última concorrência criamos uma rubrica específica", lembra o representante da Secretaria do Audiovisual do MinC, Mário Diamante, que estará hoje no Fórum Brasil. A citada concorrência escolherá dez desenhos de curta-metragem (que receberão R$ 60 mil para produção), 20 filmetes de 1 minuto a serem exibidos nas TVs Educativas e três projetos que receberão R$ 100 mil para desenvolvimento de roteiro. "Esse é um dos gargalos da animação, pois o gasto inicial em uma proposta para os investidores é muito maior." O Cartoon Network se adiantou. Vai exibir os desenhos Mônica, de Mauricio de Sousa, e contratou 21 filmes de 3 a 7 minutos da produtora Daniel Messias, com base em personagens brasileiros criados por Glauco (Geraldinho), Laerte (Overman) e Cacá Galhardo (Os Pescoçudos). Os R$ 640 mil que investirá nesta produção vêm de um dispositivo da Lei do Audiovisual que permite às emissoras estrangeiras destinar 3% de sua remessa de lucro à produção nacional. A empreitada deve durar um ano e empregar 20 profissionais.

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