Anima 2000: maior, mais divertido e mais brasileiro

Devem existir poucas coisas mais divertidas para se fazer em São Paulo na próxima semana do que acompanhar o 8º Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi 2000. O evento - que fez dia 18/07 uma prévia para a imprensa paulista no Museu da Imagem e Som - já é o maior da América Latina, e neste ano tem o maior número de inscrições brasileiras, fato raro em edições passadas. "Houve uma edição em que só tivemos um trabalho brasileiro inscrito. Este ano, no entanto, fizemos uma seleção dificílima para chegar aos 20 que se apresentam junto aos trabalhos estrangeiros" disse César Coelho, um dos diretores do festival e também profissional de animação, sem contar as 35 produções da Mostra Brasil, só com filmes nacionais.O filme brasileiro de dez minutos mostrado à imprensa, Alma em Chamas, de Arnaldo Galvão, é um conto erótico extremamente bem humorado, que conta com a narração de Paulo Ivo e com dublagem de Marisa Orth. Trata-se da história do bombeiro Clóvis Alves, que numa de suas missões salva a vida da ninfomaníaca Samira. A partir daí, a tarada agradecida passa a perseguir a vida pacata de Clóvis com a esposa Ritinha. Samira exige sexo do seu salvador nas situações mais absurdas (geralmente no meio de um incêndio). O roteiro é de Flávio de Souza, que há muito discutia a história em conversas com a amiga Marisa Orth - o projeto de filme acabou sendo uma animação em Computador 2D, e está concorrendo também na categoria de curtas do 28º Festival de Gramado.Arnaldo Galvão participa do festival com mais três animações: uma infantil, chamada Haina; uma série de alvo "adolescente-MTV", chamada Podrera & Ovni, e um outro de público adulto sobre o mestre da auto-ajuda Dr. Galvão. "O Anima Mundi tem sido muito importante para o meio. Estamos sempre sabendo o que está na reta dos grandes festivais, e proporciona um contato muito legal com gente do mundo inteiro, coisas que acabam valendo muito mais que as próprias premiações", diz Galvão, que desde 1980 faz animações, principalmente para publicidade, e da década de 90 para cá tem feito suas próprias produções. Entre os outros diretores brasileiros de destaque que estarão na Mostra Oficial está Allan Sieber, que vem com o curtíssimo e genial Deus é Pai, uma história em que Deus e Jesus Cristo, após milhares de anos de relacionamento desgastado, vão ao terapeuta atenuar suas amarguras. O desenho obteve o primeiro lugar na categoria de animação do Festival de Gramado em 97. Marcos Magalhães, também diretor do Anima, participa com Dois, filme que produziu por meio de uma bolsa da University of Southern California. Na mostra Infantil, Magalhães traz uma co-produção com o canal a cabo Nickelodeon, chamado Milena, a Irmã do Meio. O trabalho faz parte do projeto Grandes Curtas por Gente Pequena, organizado pelo canal de TV, feito com a colaboração de crianças de uma escola carioca. O projeto já passou por diversos países desde 1995, mas é a primeira vez que é realizado num país da América Latina.O Anima Mundi 2000 ainda fará uma homenagem ao brasileiro Otto Guerra, com exibições especiais dos seus desenhos, além de sessões de bate-papo com o diretor. Uma das personalidades mais excêntricas do mundo da animação nacional, Guerra presta contribuições constantes ao cenário há mais de 20 anos. Ele é autor de um dos maiores cults de longa-metragem brasileiro, Rock e Hudson, que conta a história de dois cowboys gays que enfrentam vários perigos juntos (a primeira parte do longa será exibida no festival). Também será exibido Novela, curta onde crocodilos vivem situações similares às do divertimento televisivo de maior preferência nacional. Prêmios - Outro filme brasileiro que merece ser visto é Roubada, assinada por três diretores: Maurício Vidal, Renan de Moraes e Sérgio Yamazaki. A história é simples e divertida: um ladrão de bolsas tenta assaltar uma pobre velhinha que, mal sabe ele, possui a última tecnologia no que diz respeito à cadeira de rodas. Mas o fato mais interessante sobre Roubada é que apesar de ser de autoria dos animadores (e da produtora dos três, a Conseqüência Animação), a fita foi feita numa co-produção com a TV Globo Animação e Efeitos Especiais. Ela é resultado do Prêmio TV Globo de Incentivo que Vidal, Moraes e Sérgio ganharam no festival do ano passado. Na edição passada um prêmio semelhante, fornecido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), possibilitou que Sérgio Pranzl (que concorreu em 99 com A Preguiça e o Coco) trouxesse para este festival o clipe do cantor Mu Chebabi Bicicleta da Paraíba. Estes prêmios especiais voltam no Anima Mundi 2000. O prêmio da Globo, que há algum tempo já organiza workshops no festival, é dado por uma seleção de um júri de especialistas, e o ganhador tem o direito de usar os equipamentos da empresa para fazer seu próprio filme. O prêmio do CCBB - apoio com material como filmes e acetato - é para o ganhador brasileiro do festival, que é eleito pela soma de votos do juri popular de São Paulo e Rio. Os outros ganhadores do festival, sempre eleitos pela votação da platéia, também levam cerca de R$ 8 mil em prêmios. "A nossa idéia sempre foi interagir mais e mais o público e os diretores", explica Coelho sobre o voto popular. "Por isso tem estrangeiro que adora vir concorrer aqui, pois tem filme que só é premiado no Anima, uma vez que a escolha é do público e não da crítica". Outra modalidade que estréia esse ano e também terá premiações é o Anima Mundi Web, o Concurso de Animações para Internet do festival, onde 20 trabalhos em formato Flash e Gif animado (selecionados entre mais de 200 inscritos) concorrem também por votação popular, pela internet, através do site do festival (veja link abaixo). Os vencedores de cada categoria receberão um certificado, R$ 1.800 e terão seus trabalhos exibidos na noite de premiações no Museu da Imagem e Som - SP. Na mostra Gif, dos dez selecionados somente um não é brasileiro, mas sim da Colômbia (Trinidad de Edwing Torlozano). Um dos mais interessantes é Motocontínuo, de Carlos César, onde se põe em dúvida o que dá origem a quê entr eum rato e um carro, numa montagem gráfica bastante bonita. As animações em Flash são capazes de surpreender. São quatro brasileiras, duas americanas, duas australianas, uma inglesa e uma canadense. Destaque para a brasileira Sinai, de Andrés Lieban, onde a história dos Dez Mandamentos é contada de uma forma bem alternativa; e também Aniversário Guloso, de Alex Leão. Há também um filme de Bill Plympton, bem diferente das animações caricatas que ele normalmente faz, chamado Seasons. Outra animação americana interessante é Tinklebells, de Ken Navarro, onde um Papai Noel mais para lá do que para cá deixa sua mensagem de feliz Natal. Com grandes chances de ganhar está a singela história de amor Teetering (Balançando), do australiano Dave Jones. Vale a pena conferir e votar.

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