Aline Arruda/Divulgação
Aline Arruda/Divulgação

Ângelo Antônio

Mineiro de Curvelo e filho de professor, ele optou pelo palco e decidiu se mudar para São Paulo para estudar. Hoje, vive no rio e se considera ''um brasileiro''

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Você já foi um sertanejo em 2 Filhos de Francisco, Chico Xavier e agora interpreta um personagem real em Amo?, filme sobre violência doméstica. Como é viver homens tão diferentes e que despertam preconceito?

É ótimo. Minha carreira no cinema é feita de preconceito. Em Amor? eu mesmo vi o personagem pela primeira vez com preconceito. Achei que ele era raso. Mas estava namorando na época em que o João Jardim (diretor do filme, que integrou o 43.º Festival de Cinema de Brasília) me enviou o roteiro. E minha namorada me convenceu a ler de novo o roteiro e vi que era um personagem muito mais complexo do que pensava. Foi meu papel mais difícil.

Por quê?

Porque o personagem, um homem real, cujo depoimento achei que ia só decorar, revelou muito sobre as relações humanas. Na hora em que fui entrar de fato na cabeça dele, aconteceu algo inédito na minha vida. Depois de muito estudar o texto, o João me deixou ouvir o depoimento real. Foi uma revelação ouvir o Lineu. Ele foi nascendo em mim. E foi exaustivo. Quando me dei conta da dimensão real dele, questionei também meus relaçionamentos com as mulheres.

Sempre foram tranquilas?

Não, nem sempre meus relacionamentos foram tranquilos. Como o Lineu diz, a agente pode se machucar com o desprezo, com a palavra. É quase tragicômico. Relacionar é muito difícil. Parece tudo tão fácil. Encontrar alguém... ter filhos... É uma pedreira. Não sei se antigamente era mais fácil. Vivemos uma época em que tudo está muito violento. E para sair desse estado, somente a vontade não é suficiente. A gente pode ser provocado com violência e reagir com ela. E não é apenas violência. A palavra pode ser violenta. Tem poder criador e destruidor.

Falando de sua carreira, você, ainda que mineiro de Curvelo, formado em São Paulo que vive no Rio, nunca foi "ator de um papel só". Isso é o que permite transitar entre cinema, teatro e TV?

Sabe que nunca tinha pensado nisso? Mas sim. Sou um brasileiro. Agora estou na TV. Já começo a rodar o filme novo do Felipe Barcinski, em que faço dois personagens, Depois, quero tirar um sabático e estudar inglês em Londres. Acredita que eu não falo bem inglês ainda?

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