FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

André Sturm diz que vai manter políticas culturais vitoriosas e olhar mais para a periferia

Secretário de Cultura do prefeito eleito João Dória comentou que transição com a gestão atual está sendo tranquila

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2016 | 15h56

Minutos antes de encontrar a atual secretária de Cultura do governo Fernando Haddad, Maria do Rosário, para uma conversar de início de transição, André Sturm, nome que vai assumir a mesma secretaria na gestão João Doria, atendeu a ligação do Estado pedindo para não ser chamado de “senhor”. “Não precisa, por favor.”

Sturm assume um posto para o qual Doria começava a ter problemas para preencher. Sua primeira opção, o empresário de televisão Jose Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, recusou disse não depois de fazer cotações com empresas de mudança e concluir que sua vinda do Rio seria muito cara. Sturm, opção mais ligada à política pública, de atuação como diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), assume com esboços de propostas mais objetivas. A solenidade aconteceu na manhã desta quinta-feira, 24, quando João Doria anunciou, no edifício da Caixa Econômica Federal, os últimos seis secretários que faltavam para completar a equipe de 22.

Sturm diz que existe uma determinação do prefeito eleito para que se olhe atentamente para a periferia. “Eu gosto de resumir essa ideia como se a secretaria de Cultura passasse a agir como um catalisador do que acontece nesses lugares”, disse. Ao contrário de outras pastas, seu departamento tem maior carta branca para assumir iniciativas vitoriosas da gestão anterior. “A SP Cine é um exemplo. Vamos manter o mesmo nível, pois ela merece. A gestão anterior fez um bom trabalho.”

Ao contrário da turbulência observada no nível federal, no qual a saída de Marcelo Calero do Ministério da Cultura, na semana passada, provocou uma crise interna, a transição municipal tem sido feita com certa simpatia entre a turma que sai e a que chega. Nos bastidores, comenta-se que a própria secretária de Haddad comemorou ao saber da escolha de Sturm. “Ela está sendo generosa”, diz.

De perfil mais técnico que político, o novo homem da Cultura de São Paulo diz que pretende tomar conhecimento dos equipamentos culturais antes de se pronunciar com mais detalhes sobre cada um eles. Ele não desconhece que o Teatro Municipal passou por escândalos recentes com relação ao desvio de verbas de sua gestão; diz também estar ciente de que os CEUs são equipamentos importantes nas regiões afastadas do Centro e tem conhecimento de que a Virada Cultural, a principal data no calendário de eventos de sua secretaria, é uma bomba relógio que sempre explode na noite de festa por volta da 1 h da manhã. Mas afirma que quer estar atento a outros detalhes nem sempre tão visíveis.

Frequência. “A pasta tem esses problemas, mas ela toma conta de um equipamento muito maior que isso. São bibliotecas, centros culturais, casas de cultura. Esses locais devem ser dinâmicos. E temos de incentivar o trânsito de frequentadores e artistas.”

Sturm diz que jamais trabalhou nos bastidores para se tornar secretário de Cultura. “Não era um projeto pessoal, eu não estava trabalhando para isso.” O MIS, ainda sem o nome de seu sucessor, já tem uma agenda de mostras para 2017. “Saio de lá, mas o coração fica. Vou estar à disposição da equipe, mesmo à distância. Acho que deixei um bom caminho andado para quem chegar.”

O gaúcho André Sturm começou sua carreira trabalhando no meio de audiovisual, em 1984. Foi profissional na distribuição de filmes de arte da empresa Pandora Filmes e comandou o departamento de programação da Cinemateca Brasileira no início dos anos 1990. Seu primeiro longa-metragem, Sonhos Tropicais, é de 2002.

 

Dois anos depois, ele já atuava como exibidor, assumindo o Cinema HSBC Belas-Artes e demonstrando força gerencial para recuperá-lo de uma crise histórica. Até o dia de sua posse, no início de 2017, ele segue como diretor executivo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, cargo que exerce desde 2011, e presidente do Programa Cinema do Brasil, um programa de exportação de filmes brasileiros financiado pela APEX e pelo Ministério da Cultura. 

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