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Análise: Um romano sonhador traz modernidade à alta moda italiana

A Valentino rivaliza em termos de glamour (e preço) com as duas maiores grifes francesas: Chanel e Dior

Maria Rita Alonso, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2017 | 05h00

Foi um desfile inovador e classudo, começando pela passarela que era quadrada. Ela estava instalada em dois andares do hotel Beekman, um cinco estrelas no Tribeca, com nove andares construídos ao redor de um átrio. Os 180 convidados, a maioria da imprensa internacional, puderam assim ver bem de perto as pequenas subversões que o estilista Pierpaolo Piccioli preparou para a coleção pre fall 2017. 

Botas sem saltos, cobrindo os joelhos, foram apresentadas com um vestido-camiseta modesto e cool. Babydolls surgiram com pequenos babados e sutiãs de linha sobrepostos.

Pijamas de seda vieram sob golas e casacos de pele, um deles, um visom de patchwork. Nos pés, tênis. As tradicionais bolsas de crocodilo agora têm cores esquisitas e atraentes como verde menta e rosa-chiclete. São grandonas, perfeitas para o dia a dia.

Um casaco de pele de cobra foi pintado à mão com flores em tons pastel. Enfim, peças chiques surgiram no desfile usadas de um jeito novo e despojado. 

Enquanto isso, os vestidos de noite impactaram. O longo vermelho, marca registrada do estilista Valentino Garavani, que criou a maison na década de 1960, estava ali. Mas era inteirinho de paetês.

Outros tons também surgiram em peças com bordados espetaculares e aplicações que pareciam tridimensionais. Os motivos e as estampas tinham um rebuscado inspirado no mundo intelectual. Modelos com golas fechadas reforçavam essa ideia. No moodboard, havia fotos da exposição The Family of Man, montada em 1955, com curadoria do fotógrafo Edward Steichen. Outra inspiração veio da obra de Carl Sandburg, um dos grandes poetas americanos.

O clássico e o moderno caminharam juntos ao som de Nina Simone. Casacos de couro multicoloridos cortados a laser apareceram ao lado de modelos vintage, que ora lembravam a década de 1940, ora remetiam à elegância medieval. 

A Valentino, que em termos de glamour (e de preço) rivaliza hoje com as duas maiores grifes francesas, Chanel e Dior, se aproxima com esse desfile ainda mais das concorrentes. Bom lembrar que Maria Grazia Chiuri, a ex-parceira criativa de Pierpaolo, é quem comanda a Dior agora. O estilista manda um recado bem dado com essa apresentação: ele está feliz evoluindo em um caminho totalmente autoral. No final, a separação amigável foi boa para ambos. 

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