Análise: A biografia de Nelson reproduz várias fases do cinema brasileiro

A trajetória de Nelson Pereira dos Santos se confunde com a do moderno cinema brasileiro. Principal "aclimatador" do neorrealismo italiano no patropi, Nelson, lança dois filmes fundamentais - Rio 40 Graus (1955) e Rio Zona Norte (1957) -, tornando-se precursor do Cinema Novo, que mudaria os rumos da história do cinema nacional na década de 1960.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2013 | 02h15

No quadro do Cinema Novo, Nelson marca presença com a obra-prima indiscutível Vidas Secas, uma das pontas da chamada sagrada trindade do movimento (as outras são Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Os Fuzis, de Ruy Guerra).

Na era da censura, Nelson foi experimental com Azyllo Muito Louco, Como era Gostoso o Meu Francês e Quem É Beta?. Investiu no nacional-popular com O Amuleto de Ogum, Tenda dos Milagres e Jubiabá. Quando a ditadura chegava ao fim, filmou o hino da abertura, Memórias do Cárcere, tirado de Graciliano Ramos. Sofreu a precariedade da Retomada em obras que expressam essa dificuldade como A Terceira Margem do Rio e Brasília 18%. Deu sua visão dos intérpretes do País em Casa-Grande e Senzala e Raízes do Brasil.

Consagrado, acadêmico e imortal, rodou o mais belo documentário dos últimos anos, A Música Segundo Tom Jobim. Ave, Nelson!

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