"Anais" do MHN: 60 anos de história

O Museu Histórico Nacional comemora hoje os 60 anos de sua publicação anual, os Anais, com o lançamento da edição 2000. Com 321 páginas e tiragem de mil exemplares, o livro reúne 15 artigos divididos em duas partes registrando a produção historiográfica recente. Na primeira, discute-se o acervo do Museu. A segunda, como de costume, é reservada a um tema específico. Para esta edição comemorativa, o tema é a fotografia.Os Anais do Museu Histórico Nacional tornaram-se referência para os historiadores. "Hoje são uma fonte de pesquisa muito procurada por cientistas sociais", diz a diretora do Museu Vera Tostes. A publicação foi interrompida por vinte anos, entre 1975 e 95, por razões financeiras. Vera assumiu a direção há cinco anos e desde então os Anais voltaram a sair com regularidade.Usar a fotografia como fonte de dados históricos foi o estímulo que gerou os artigos da edição deste ano. A idéia partiu do historiador do museu, José Neves Bittencourt, e justifica-se: a instituição tem um acervo de 10.300 fotografias, englobando todos os processos técnicos já criados. Há raridades nos arquivos. Um exemplo são as fotos da Guerra do Paraguai. O Museu Histórico Nacional, braço do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, concentra em seu prédio, nas imediações da Praça XV de novembro, 67% de todo o acervo histórico existente no País."Os Anais são a nossa prioridade", afirma Vera Tostes, que também é historiadora e museóloga. Uma das iniciativas que fez da publicação um objeto de preservação é o CD-ROM lançado no ano passado, que agrupa todas as edições de 1940 a 98. O CD ganha importância já que, até a edição de 96, todas estão esgotadas. Dos mil exemplares, 300 são doados a bibliotecas e instituições culturais. Essa é uma forma de aproximar o museu das universidades, projeto considerado crucial para a direção. "Queremos estar junto dos historiadores, para dar-lhes subsídios e convencê-los da importância de indicar os acervos para seus alunos", diz Vera.Segundo Vera Tostes, os Anais estão em sintonia com as novas tendências da história. "Mesmo com temas tradicionais, já vemos uma abordagem mais contemporânea", ela diz. O museu estimula uma visão sobre a história do Brasil que compreenda mais que os 500 últimos anos, abrangendo a pré-história e a ocupação indígena. Para isso organiza seminários, que, a partir do ano passado, também ganharam seus próprios anais. Como parte das comemorações, o professor francês Jean Soublin fala hoje sobre a Amazônia, historiadores fazem leituras dos principais artigos já publicados nos 60 anos dos Anais e uma exposição apresenta as edições antigas. Atualmente, o Museu abriga o original da Carta de Pero Vaz de Caminha, módulo da Mostra do Redescobrimento.Anais do Museu Histórico Nacional - 321pp. R$17,00. Museu Histórico Nacional - Praça Marechal Âncora s/nº, Centro.

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