Anahí Roitman pinta livros, letras

A artista argentina Anahí Roitman,que expõe seu trabalho a partir desta quinta-feira, na Galeria MartaTraba, do Memorial da América Latina, pinta aquilo que gosta:livros, instrumentos musicais, letras, pincéis e quadros dentrode quadros. São as paisagens íntimas, amplas e fechadas, na qualo homem nunca está representado, mas sempre está presente. Ouapenas objetos (pintados ou realmente construídos, seguindo odesejo de explorar as potencialidades da escultura). Mas,independentemente das diferenças temáticas ou formais existentesentre os 60 trabalhos selecionados para sua primeira exposiçãono Brasil, em todos as obras de Anahí há uma forte carga afetiva uma necessidade emocional de traduzir em imagens seu universocriativo. Sua paixão pelo livro, que é o eixo central do trabalho,tem uma dupla raiz. Anahí confessa-se apaixonada tanto peloobjeto quanto pelo conteúdo. Em muitas de suas telas,principalmente as iniciais, o livro surge como elementoconstrutivo com o qual se constrói geometricamente o espaço. Nasobras mais recentes, a geometrização do espaço perde lugar parauma composição mais solta, de caráter mais onírico e afetivo. Até a cor mais azulada, "uma paleta mais baixa, maistranqüila e mais suave", adotada nas pinturas mais recentes,contribui para criar essa atmosfera menos precisa, que parecesaída do mundo dos sonhos. É inevitável fazer associações entreos trabalhos de Anahí e algumas figuras ou escolas importantesda escola da pintura, como o futurismo. Em uma de suas telas, Noateliê IV, vemos inclusive um boneco articulado que remetediretamente à obra de De Chirico. Da mesma maneira, é possívelencontrar um parentesco entre trabalhos como Três Instrumentos ea colagem cubista. Segundo a artista, no entanto, essasreferências ocorrem sempre de maneira inconsciente e sóposteriormente ela se dá conta disso. Questões temáticas ou formais, todas elas têm relaçãocom aspectos autobiográficos da artista. É a memória afetiva enão a razão que comandam seu trabalho. Da mesma forma que oboneco está presente em suas telas como uma referência a seusprimeiros estudos, nos quais utilizou essa figura como modelo,os instrumentos musicais têm lugar garantido em seu trabalho nãoporque simbolizam a arte erudita que Anahí tantas vezes retrata,mas porque eles estão intimamente ligados à sua vida. O caráter construtivo de seus trabalhos iniciaisdecorrem de sua formação como arquiteta. A pintura e a músicasempre estiveram presentes em sua vida, já que a mãe éconcertista e ela própria estudou violino por dez anos e o pai éum grande colecionador de arte.Serviço - Anahí Roitman. De terça a domingo, das 9 às 18 horas.Memorial da América Latina - Galeria Marta Traba. Avenida AuroSoares de Moura Andrade, 664, São Paulo, tel. 3823-4600. Até25/8. Abertura, quinta-feira, às 19 horas

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