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Ana Wanzeler é a ministra interina da Cultura

Ex-secretária de Marta comandará a transição no Ministério da Cultura pelos próximos 45 dias

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2014 | 20h34

Durante os próximos 45 dias, nem Juca Ferreira nem Chico César: a nova ministra da Cultura do Brasil será Ana de novo. Só que outra Ana: trata-se de Ana Cristina da Cunha Wanzeler, que era secretária executiva de Marta Suplicy, que se demitiu na terça. Oriunda da área financeira da Caixa Econômica Federal, formada pela Universidade Federal do Pará, Ana Cristina foi nomeada secretária por Marta em abril, num momento em que o segundo posto hierárquico da pasta vivia certa instabilidade – teve três secretários em menos de um mês.

Em 24 de março, Marta nomeara Sérgio Braune Solon de Pontes para o lugar de Marcelo Pedroso. Não deu um mês, trocou de novo, dessa vez nomeando Ana Cristina, que ocupava então o cargo de Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do ministério.

Ana Cristina Wanzeler foi nomeada na quarta-feira (12/11), segundo publicação no Diário Oficial, para o cargo de ministra interina pelo vice-presidente Michel Temer. Ontem mesmo, em São Paulo, ela lançou, na sede da Fundação Nacional das Artes (Funarte), o edital Curta afirmativo 2014: protagonismo de cineastas afro-brasileiros na produção audiovisual. O edital destina R$ 3 milhões a produtores e 34 obras e as inscrições estão abertas até 30 de janeiro de 2015. “Buscamos dar voz e protagonismo a produtores negros e à cultura negra, tão essenciais à nossa raiz brasileira, tão fundamentais na formação de nossa identidade como país, mas que historicamente ficaram excluídos das políticas públicas”, disse Ana.

A interinidade não será tão simples. Na quarta-feira, a Associação Paulista de Cineastas (APACI) enviou carta à presidente Dilma Rousseff reclamando da paralisação que atinge a Cinemateca Brasileira há um ano e meio, e que chegou a ponto agudo com a demissão do diretor, Lisandro Nogueira. Leia abaixo a íntegra do documento:

"São Paulo, 12 de Novembro de 2014.

Excelentíssima Sra. Dilma Rousseff

Presidenta da República

Prezada Senhora,

A Associação Paulista de Cineastas manifesta preocupação com a recente notícia do pedido de demissão do diretor da Cinemateca Brasileira, Lisandro Nogueira. Há um ano e meio essa instituição se encontra em virtual paralisação devido à intervenção do Ministério da Cultura para investigar irregularidades apontadas pelo TCU no funcionamento da SAC (Sociedade Amigos da Cinemateca) no manejo dos recursos. Tal investigação envolveu a interrupção de todo e qualquer fluxo de recursos o que acarretou a demissão de técnicos e funcionários que ao longo de anos desenvolveram expertise na restauração de filmes e documentarão dos mais diferentes suportes, cujo trabalho foi reconhecido em Cinematecas de todo o mundo.

A crise que se seguiu, resultou em mobilização e protestos da classe cinematográfica no Brasil e no exterior, pois a Cinemateca Brasileira é depositária de centenas de filmes aqui produzidos, entre eles os grandes clássicos de nosso cinema, que datam de inícios do Século XX até os dias de hoje, gravações e matérias históricas de nossa Televisão, registros pessoais e documentários nos mais diferentes suportes que refletem a vida dos brasileiros e compõem a nossa auto-imagem ao longo do tempo. Há também documentos e escritos de importantes cineastas e uma das mais completas bibliotecas sobre cinema. Sem falar no valioso trabalho de divulgação que vinha sendo realizado, inclusive em associação com Universidades, entidades profissionais das mais diferentes áreas e escolas.

A gestão de Lisandro Nogueira vinha estabelecendo um caráter de volta lenta mas gradual à normalidade da Cinemateca. Tememos que a sua saída nesse delicado momento, somada à demissão da Ministra Marta Suplicy, provoque um retrocesso no já tardio processo de retomada. Ao longo dos últimos meses vinha sendo desenvolvida, por iniciativa do MINC com a participação de estudiosos, economistas, advogados e cineastas uma mudança de modelo institucional que visava a criação de uma OS preparada para gerir a Cinemateca Brasileira. Consideramos que tal trabalho não pode ser paralisado, dada a sua urgência. O estado de semi-paralisia em que se encontra a Cinemateca não pode mais prosseguir, sob pena de se perderem ainda mais conquistas obtidas através do sonho e do trabalho árduo de muitos.

Finalizando, gostaríamos de frisar que, dada a importância da Cinemateca Brasileira, por tudo que foi aqui exposto, a classe cinematográfica deveria ser ouvida na indicação do novo diretor.

Rubens Rewald

Associação Paulista de Cineastas - APACI"

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