Ana Tavares expõe em três locais de SP

Ana Maria Tavares está presente em três exposições da cidade. Com a instalação Visiones Sedantes, criada em 2000 para a Bienal de Havana, integra a mostra Estratégias para Deslumbrar, na Galeria do Sesi; a artista apresenta a exposição Numinosum, na Galeria Brito Cimino; e também é participante do projeto Artecidadezonaleste, que pode ser visitado pelo público até o dia 30 de abril.Como ela mesma define, desde a década de 90 seus trabalhos são "estruturas de suporte para um corpo em trânsito". Essa definição é reconhecida de cara na obra que idealizou para esta quarta edição do Arte/Cidade, uma passarela suspensa que permite ao visitante percorrer e pensar a estrutura e a arquitetura da Torre Leste do Sesc Belenzinho. Mas não só isso. Revela um trajeto labiríntico que "cria uma experiência de suspensão em relação ao espaço e ao tempo real", ou mesmo, "um sobrevôo pela arquitetura", como explica Ana Maria. Para entrar nessa passarela, a artista oferece duas opções: uma abertura pelo segundo piso da torre ou outra pelo terceiro andar. Independentemente da entrada, o trajeto conta, também, com uma passagem pelo primeiro piso, único espaço que não tem nem saída nem entrada.Duas escadas espirais vertiginosas fazem as ligações entre os andares. "Esse é um trabalho que envolve a questão do risco. O visitante terá de tomar decisões, vai ter de querer fazer o percurso, vai ser colocado em xeque", diz a artista.Entretanto, segundo Ana Maria, várias outras questões estão envolvidas nesse trabalho. A idéia inicial surgiu da primeira impressão que ela teve do prédio da Torre Leste. Um espaço com três extensos andares onde se perde "a lembrança do que está antes e depois e do que está em cima e embaixo". Cada piso é forte como espaço arquitetônico e, desse modo, é anulada a idéia de verticalidade da torre. Além disso, Ana Maria considera a arquitetura obsoleta por causa da situação de tráfego ruim. "Hoje, as coisas estão muito ligadas à otimização do tráfego, das informações e do tempo. O meu trabalho é uma crítica a uma situação antiga revelada por essa arquitetura obsoleta", explica.Pensando na leveza, Ana Maria imaginou que as passarelas deveriam ser presas ao teto, mas novamente a precária estrutura do edifício devia ser levada em consideração. Os tetos não sustentariam o peso e, assim, as passarelas foram fixadas no chão, a uma altura mediana, para que o visitante fique em destaque, fique suspenso, seja espectador e observado.O piso, vazado, permite uma certa elasticidade quando se anda por ele - "piso como uma rede de circo" - para que as pessoas não se sintam seguras a ponto de correr durante o percurso, para que sejam obrigadas a caminhar por ele. "Há uma idéia de que o tempo é estendido aqui, uma situação que não acontece lá embaixo, no chão." Futuro - Para a exposição na Galeria Brito Cimino, Ana Maria se inspirou na idéia de que "nossa experiência de vida é muito mais de projeção para o futuro do que para o presente". Desse modo, criou a instalação Numinosum. Composta por um espelho d´água de fundo verde, feito em aço inox colorido, rodeado de estruturas baseadas nas plataformas de negociação da Bolsa de Mercadorias e Futuros e, ainda, oito palavras prateadas na parede branca da galeria. Tudo parece espelhar com a luz. Segundo Ana Maria, as oito expressões e palavras fixadas nas paredes são "senhas para trafegar no mundo se sentindo bem". Artifícios da contemporaneidade que promovem sensações de "poder, prazer e auto-estima", complementa. São elas: sparkling water, credit card, Lexotan, Sunset Sunrise, Sundown, Visiones Sedantes, sexo e Relax´O´Visions.E a palavra Numinosum, título da exposição, refere-se à idéia de objeto de adoração. Há o espelho d´água, as palavras refletidas, uma sugestão de mergulho em outro espaço e tempo. Um tipo de estrutura para uma suspensão mais poética, como declara Ana Maria.

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