Ana Paula Padrão diz que quer chegar cedo em casa

Depois de cinco anos à frente do Jornal da Globo, a jornalista Ana Paula Padrão - agora no SBT - não está só mudando de emprego. Está mudando de vida. "Finalmente vou chegar em casa e encontrar meu marido", disse a apresentadora à reportagem, por telefone, da Bahia, onde descansa. Casada há três anos com Walter Brasil Mundell, de 51 anos, executivo do mercado financeiro, a jornalista Ana Paula Padrão só via o marido nos fins de semana. Cansada dessa rotina, ela acabou cedendo aos convites de Silvio Santos. "Ele me liga de dois em dois meses desde 1996", conta Ana Paula. E agora ela conseguiu: sair mais cedo do trabalho é uma das cláusulas do contrato de quatro anos. Você deixou o Jornal da Globo porque quer engravidar? Eu estava muito infeliz. Chegava em casa à 1h, meu marido estava dormindo. Ele acordava às 7h, eu estava dormindo. Durante dois anos, fiz tratamento para engravidar com injeções de hormônio e eu conversava sobre isso com meu marido pelo telefone, porque a gente não se via. Você imagina isso? Uma ou duas vezes por mês, eu fazia plantão, pegava a ponte aérea e apresentava o Jornal Nacional. No começo do ano, comuniquei oficialmente à rede Globo que não podia mais manter esse horário. Tenho 40 anos, sou da geração das mulheres de 80 e o trabalho era a coisa mais importante da vida. Isso mudou: meu marido é a coisa mais importante da minha vida. Não vou envelhecer na bancada do jornal. Vou envelhecer em casa, com minha família. Então, para que viver desse jeito? Pelo prestígio de conduzir o Jornal da Globo? Tive de escolher entre ter uma vida razoável e o prestígio. Você tentou mudar de horário na Globo? Sim, conversei diversas vezes sobre isso, apareceram possibilidades, mas nada que se encaixasse no meu perfil, mais ligado à política e à economia. A questão nunca foi o trabalho, só o horário. Adoro o Jornal da Globo, que tem um viés analítico que o diferencia. Silvio Santos já a havia procurado antes? A primeira vez que ele me procurou foi em 1996. Desde então, de dois em dois meses ele me dá um telefonema. Na última vez, como na Globo já haviam se esgotado as chances de eu mudar de horário, não resisti. Você vai reestruturar o jornalismo na emissora? Sim, no meu contrato está previsto um orçamento para recuperar e aumentar a infra-estrutura das afiliadas e das praças, além da redação nacional. Isso significa contratar mais gente. Sempre gostei de treinar pessoas e isso também está sob minha responsabilidade. Quero viajar e visitar as afiliadas, conhecer os jornalistas. Pelo que conversamos, Silvio quer trazer o jornalismo de volta à casa. Ele é muito intuitivo e acredita que comigo tem essa chance. Como vai ser o telejornal? Nunca fui ao estúdios da Anhangüera, nem para assinar o contrato, mas pelo que sei ele oferece toda a infra-estrutura. Ainda não defini equipe e só conversei com o (Lui Gonzaga) Mineiro (diretor de jornalismo) duas vezes por telefone, porque ainda estou de férias. A única pessoa que estou levando com certeza é a Guta Nascimento, que é produtora do Jornal Hoje. Vou fazer o jornal bem com a minha cara. O horário será entre 18h e 21h. Quanto mais cedo, melhor! (risos). Você vai trabalhar com Hermanno Henning? Eu e Hermanno somos parceiros, conheço-o de outros carnavais. Na minha opinião, redação tem de ser um time. ´Reestruturando todo o jornalismo, treinando as equipes e ainda apresentando o telejornal, você não acha que vai acabar trabalhando mais do que na Globo? (Risos) Eu gosto de trabalhar, só o horário que me incomodava! Mas pelo meu contrato, não trabalho aos fins de semana e saio mais cedo. Estou optando claramente pela minha vida pessoal. E as cifras milionárias que vêm sendo publicadas a respeito do seu salário? É lógico que vou ganhar mais (que na Globo), isso é normal. Mas está longe do que vem sendo publicado por aí!

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.