Ana Paula Arósio na "Casa de Boneca"

A partir desta sexta-feira, no Teatro Faap, a atriz Ana Paula Arósio viverá Nora, a personagem principal de Casa de Boneca, texto clássico do autor norueguês Henrik Ibsen. A peça estréia em São Paulo depois de uma temporada de cinco meses no Rio de Janeiro. Lábios em formato de coração, olhos azuis espremidos sob cílios grossos, pele perfeita. "Acho que tenho mesmo um rosto de época", brinca a atriz. Em seis anos de carreira e dez personagens, Ana Paula por nove vezes interpretou moças (e até moços, caso de Hipólito da peça Phaedra) de séculos passados. E com Nora, seu 11.º papel, Ana Paula é novamente uma moça típica da segunda metade do século 19. Assim como Giuliana de Terra Nostra, Maria Eduarda de Os Maias e Hilda Furacão, a atriz volta a interpretar uma mulher forte. "Não sou eu quem escolhe esses papéis, sempre sou convidada. Acho que há tempos os autores preferem retratar mulheres com personalidades mais marcantes", explica a atriz. Casa de Boneca é a terceira produção teatral de Ana Paula. "Gosto de teatro e acho que o Brasil precisa cada vez mais de gente disposta a investir tempo e dinheiro nesta área". A escolha do texto ocorreu em março do ano passado. "Foi uma coincidência. Estava com o Ibsen na cabeça. Em uma conversa, descobri que o Cláudio (Rangel) e a Níssia (Garcia), que produziram comigo a peça, estavam com a mesma idéia", conta a atriz. Além dos palcos, Ana Paula também se prepara para voltar à televisão. Ela será Camille, uma judia que chega ao Brasil com a família em meados dos anos 20, na nova novela das oito da Globo, escrita por Benedito Ruy Barbosa. A trama tem o título provisório de Terra Esperança e estréia prevista para o dia 17 de junho, no lugar de O Clone. Em entrevista coletiva realizada segunda-feira à tarde em um hotel no centro da cidade, a atriz conversou sobre Camille, Nora e os novos projetos como produtora. Como está o seu papel na próxima novela? Olha, sei muito pouco. Não sei o título da novela. E não vou para a Itália (parte do elenco seguiu nesta semana para gravar naquele país), afinal, tenho meu compromisso com o teatro. Também não sei quem será o meu par romântico (o mais cotado, por enquanto, é Selton Mello). Sei que realmente não terá nada a ver com Terra Nostra. O único ponto comum será uma locação: a fazenda de Gumercindo (Antônio Fagundes) que acabou falindo. Acredito também que será uma novela de uma fase só. E sobre Camille, alguma informação? Ela é uma judia, que vem da Itália e será vértice de um triângulo amoroso. Lá, ela deixa, o amor da sua vida e um filho. Mas aqui no Brasil ela conhece Tony, um brasileiro. A família, é claro, fica escandalizada. Mas a Camille consegue com que Tony se converta ao judaísmo. E então eles se casam. A personagem aparece no quarto ou no quinto capítulo. Como vai ficar a sua vida entre a televisão e o teatro? Será a primeira vez que vou cometer essa loucura. Tenho um apartamento aqui e outro no Rio, onde gravarei de segunda a quinta. E ficarei na ponte-aérea. Tenho consciência de que será um tanto cansativo, mas acho que no final será uma experiência bem enriquecedora. Você foi a primeira atriz a ser cotada para viver Jade de O Clone, mas acabou recusando o papel. Está arrependida? Por que a recusa? Não estou nada arrependida. A Giovanna Antonelli é muito talentosa e admiro sua trajetória como atriz. Além disso, eu?! Muçulmana?! Era só o que me faltava. Não tenho a menor cara de muçulmana! (Risos.) É verdade que você e a Giovanna vão fazer uma peça juntas? Não vamos atuar. O que está acontecendo é que estou pesquisando uma peça para ela. E vou produzir o espetáculo. É um projeto para o segundo semestre deste ano. Tenho três textos em vista, mas ainda não posso dizer quais são. Como surgiu sua faceta como produtora? Imagina entrar no cinema? Há três anos, fiz com a Níssia Garcia a peça Harmonia em Negro (com Cássio Scapin). Achei muito interessante participar de todos os passos do processo, manter tudo sob controle. Mas cinema... Por enquanto, ainda não entendo essa linguagem, esse tipo de produção e prefiro continuar apenas como atriz. Minha última atuação foi em Os Cristais Debaixo do Trono (filme de Del Rangel rodado há quatro anos). O filme foi apresentado no Festival do Recife no ano passado, mas não sei quando vai entrar no circuito comercial. Camille, Nora, Hilda, você parece estar se especializando em papéis femininos fortes. Os atores sentem que as mulheres há muito não são mais aqueles seres frágeis. E então aparecem as personagens fortes. A Jade, por exemplo, também é forte. Ela joga tudo para o alto para viver um grande amor. Eu me identifico com elas nesse aspecto. Não seria uma pessoa que ficaria quieta num casamento - ou qualquer tipo de relação profissional ou pessoal - que me fizesse mal.

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