Ana de Hollanda critica escolha de Juca Ferreira para campanha de Dilma

Ex-ministra afirmou que foi 'surpreendida com uma notícia preocupante para a cultura e a campanha de reeleição da presidente'

Flavia Guerra , O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 20h02

 Em seu perfil do Facebook, a ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda se mostrou contrária à escolha da presidente Dilma Rousseff pelo nome de Juca Ferreira, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo, para coordenar a área cultural da campanha da candidata petista. 


“Fui surpreendida hoje com uma notícia bastante preocupante para a Cultura e para a campanha de reeleição da Presidente Dilma. (...) A escolha em si poderia ser considerada natural, não fosse ele um político de personalidade polêmica, extremamente belicista que, fora cargos públicos que ocupou, tem pouca relação ou conhecimento da complexa realidade do mundo da cultura”, declarou Anna, que assumiu o cargo de ministra da cultura quando Dilma assumiu o cargo, em janeiro de 2011. 

A cantora e compositora deixou o cargo pouco mais de um ano depois, em setembro de 2012, ao final de um mandato que sofreu diversas críticas. “Desde que meu nome foi anunciado como uma possível futura ministra, nos fins de 2010 (quando ele se empenhava na campanha do “fica Juca”), até o fim de minha gestão, ele trabalhou obsessivamente, apoiado por grupos de militantes de sua ligação, em uma campanha sórdida de difamação, calúnias sobre mim e inverdades sobre o trabalho desenvolvido no MinC. Esse grupo orquestrou, pela internet, tuitaços e blogaços de baixíssimo nível, assim como enviou representantes ao ministério com ameaças e chantagens”, comentou ainda a ex-ministra em seu perfil da rede social. 

Vale lembrar que Ana sucedeu justamente Juca Ferreira, que ocupou o cargo de 2008 até o fim do mandado do ex-presidente Lula. Antes, Ferreira havia sido secretário-executivo do Ministério da Cultura por cinco anos, de 2003 até 2008, quando o então ministro Gilberto Gil deixou o cargo por cargo alegando razões pessoais. “O ex-ministro, pessoalmente, e seu grupo chegou ao extremo de, na abertura do Festival de Cinema de Brasília em 2011, no escuro e fundo da sala, puxar vaias, enquanto o resto aplaudia”, acrescentou Ana. 

Ana, que declarou que vai votar na presidente Dilma, ainda escreveu que “por ser um governo de continuidade, evitei entrar em confronto direto, como ele provocava, assim como não divulguei todas as irregularidades como pontos de cultura a mais de um ano sem receber, convênios glosados pelo parecer da CGU, etc.” E emendou: “Mas a pergunta que não quer calar é o que, no meio de uma campanha tão dividida, motiva o partido a chamar para coordenar uma pessoa controversa que mais afasta do que aglutina o meio cultural? Que divulga no Globo online que “relação com a classe artística azedou de vez na gestão de Ana de Hollanda no Ministério da Cultura”?”

Ana, que já ocupou outros cargos públicos, como o de diretor a do Centro de Música da Funarte de 2003 a 2007, encerrou o texto, que até o início da noite tinha quase 300 curtidas e 216 compartilhamentos: “Para finalizar, quero deixar claro que meu meio é o das artes, não tenho a menor ambição política e só aceitei o cargo temporário de Ministra da Cultura, feito diretamente pela Presidente Dilma, por ser um desafio numa área que conheço bem e tenho ótima interlocução.”

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