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Ana Botafogo interpreta coreografia de Anselmo Zolla

Bailarina mostra a simbologia dos cisnes na dança e na música

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h09

Na dança, qualquer menção a cisne evoca invariavelmente O Lago dos Cisnes, obra de Tchaikovski que adquiriu ares míticos e se transformou no mais popular entre os balés. Mas a presença da ave - na dança e nas artes - vai muito além. Constatação que levou o coreógrafo Anselmo Zolla a conceber o espetáculo Cisnes.

Com a participação de Ana Botafogo e Luís Arrieta, a coreografia, que poderá ser vista hoje e amanhã no Teatro Geo, coloca em relevo o imaginário sobre essas criaturas aladas. E, nesse contexto, entrelaça momentos de balé romântico do século 19 à contemporaneidade. "Queria colocar a grande bailarina clássica brasileira, que é a Ana, em contato com outros tipos de linguagem que remetem ao mesmo tema", comenta Zolla, diretor da Studio3 Cia. de Dança e da Cia. Sociedade Masculina, que atuam no espetáculo. "Mesclo leituras coreográficas distintas, de épocas distintas. Fui pontuando entre o clássico, o contemporâneo e trago até dança expressionista para o palco."

Ao longo de 36 anos de carreira, Ana Botafogo já interpretou O Lago dos Cisnes em incontáveis situações. O convite de Zolla, para que representasse o cisne branco, foi inicialmente rechaçado. "Mas acabei aceitando o desafio. Ele me convenceu que não era o balé completo, coisa que já prometi que não vou mais fazer", diz a bailarina, que continua em plena atividade. Em 2012, no Teatro Municipal do Rio, ela apresentou um programa com trechos de vários clássicos. E, em agosto deste ano, se prepara para estrear uma coreografia de Mauricio Wainrot, a partir de música de Chopin. "O Municipal buscou uma obra que tivesse um pas-de-deux especial para que eu pudesse participar", conta.

Na primeira parte do espetáculo que Ana encena no Teatro Geo, ela interpreta A Morte do Cisne, obra-prima do compositor francês Camille Saint-Saëns, escrita em 1886.

Em duo, contracena com Luís Arrieta, artista que imprime aos seus movimentos uma direção completamente distinta, com acento contemporâneo que destoa de sua movimentação nas pontas. "Ele tem uma movimentação corporal muito especial, que é só dele", diz ela sobre o parceiro de longa data, que já coreografou e dirigiu espetáculos anteriores da dançarina. Outro convidado especial é o alemão Olaf Schmidt, que atua como intérprete e coreógrafo. "Olaf traz a realidade dele, a sua leitura coreográfica e aquilo que vive na Alemanha", pontua Zolla.

Confluência de tempos. O trânsito entre vários tempos, códigos e manifestações artísticas acontece ininterruptamente nessa criação. "Se examinarmos a história, são muitas as ocasiões em que o cisne aparece. A diversidade que existe no tema passa a existir no palco também. O que é para cada um o 'canto do cisne', o 'cisne branco', o 'cisne negro'", diz o coreógrafo. Outro ponto a ser considerado, ressalta, é que "essa temática não está só na dança, mas também na música".

Para construir a trilha sonora da apresentação, ele selecionou não apenas a composição de Tchaikovski, mas uma grande cartela de compositores eruditos que compuseram sobre esse assunto, entre eles Wagner, Schumann e Sibelius. Do brasileiro Villa-Lobos trouxe O Canto do Cisne Negro. Além de Black Swan, música de Gian Carlo Menotti, gravada por Nina Simone. "Existe um número enorme de artistas que se alimentou desse tema", considera.

Um poema de Charles Baudelaire, publicado em Flores do Mal, também entra na seleta de obras referenciadas em Cisnes. Mas o lirismo não se restringe apenas a esses versos, acredita o criador. "O mundo em que a gente vive hoje se ressente muito da falta de poesia. E o cisne é capaz de trazer isso muito fortemente. E evoca muitas coisas. Vai desde a pureza, a leveza, até a exatidão, a precisão."

Há cerca de quatro anos, o coreógrafo já havia se debruçado sobre a mesma temática. Apresentou o projeto à época, com a Sociedade Masculina e Studio 3 Cia. de Dança. Agora, trouxe números coreográficos novos, selecionou convidados e trouxe uma diferente leitura cênica, com figurinos assinados por Fabio Namatame.

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