Ana Botafogo: há verdade na interpretação

Quão verossímil é Cisne Negro? E quanto há de verdade naquela rotina aparentemente torturante de um corpo de baile? Bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro há 30 anos, Ana Botafogo não pôde deixar de identificar-se com o que viu na tela do cinema. "Tem muito da vida do bailarino. Uma rotina de muito exercício, disciplina." No filme, a personagem de Natalie Portman não resiste às imensas pressões - do coreógrafo, da mãe frustrada, de si própria. "Na vida de uma companhia de balé é preciso ter muito controle, saber temperar o emocional e o racional o tempo todo."

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ainda que Cisne Negro não falseie a realidade, Ana ressalva que existem certos exageros e imprecisões. "É tudo um pouco over". No filme, assistimos a uma releitura de O Lago dos Cisnes. Em cena, o coreógrafo interpretado por Vincent Cassel insiste mais na atmosfera do que propriamente na técnica quando se trata de dançar a parte do cisne negro. Já na coreografia tradicional, a relação é inversa, explica Ana, que já dançou a peça ao menos em oito temporadas. "Se o cisne branco é lírico, o negro exige grande destreza técnica. Não é só interpretação. É um tour de force, no qual a bailarina precisa estar no auge de sua forma." Se a tarefa é difícil, Natalie Portman não decepcionou, garante Ana. "Quem é bailarina enxerga umas falhazinhas. Mas eu me surpreendi. Acho que ela se preparou bastante. As posições de braço e cabeça estavam muito benfeitas."

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