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Amy má? Nem sempre

A considerar o que dizem amigos de Amy Winehouse, cada minuto dos shows que ela[br]fizer no Brasil a partir de hoje será uma vitória

Chico Felitti, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

Ela cheira a almíscar, e não a álcool. O cabeleireiro Charles Arkwright garante que o único odor volátil na pele de Amy Winehouse é o do perfume de família olfativa oriental que a cantora usa desde 2003, ano em que ele se emaranhou em suas madeixas e em que ela lançou seu primeiro álbum, Frank, casamento de jazz e pop.

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À época, Amy ostentava um penteado dividido ao meio com mechas em loiro-branco, antes da subida à fama mundial e da ascensão do cabelo-colmeia, obra do cabeleireiro seguinte, que foi preso junto à cantora por posse de maconha.

Além de cheirosa, Amy-mulher acha uma beleza ver as coisas arrumadas. "É a típica garota certinha!", diz o ex-assessor estético. Preocupa-se demais, por exemplo, com a organização dos produtos na mala do maquiador, e gasta "o tempo que for" no salão. "Ela é calma, ao contrário do que o mundo quer crer."

"Ela é muito gentil", concorda a harpista Helen Tunstall, emprestada da orquestra de câmara London Sinfonietta para tocar nos dois álbuns de Winehouse. A única queixa em um porre de elogios de Tunstall é a eventual solidão de quando toca com a artista e com sua banda, os Dap-Kings. "Ela às vezes atrasa um pouco, e tem dias em não fica muito no palco."

O vagar ao estilo Tim Maia não fica só no secador e no palco: dura já quatro anos o hiato turbulento desde que Amy lançou seu segundo álbum, Back to Black. O terceiro CD, sem previsão de lançamento, ela havia prometido para este mês. "Não sei se está acontecendo. Se está, não fui contratada", diz a harpista. Os shows no Brasil também são promessas que devem começar a ser cumpridas a partir de hoje, quando canta em Florianópolis. Sábado que vem, será em São Paulo.

"Ela anda trabalhando." É só o que o produtor Salaam Remi fala sobre Winehouse. Depois de dizer não, não e não pra tudo, Amy se isolou em 2009 na ilha caribenha de Santa Lúcia para fechar de vez o oscilante leque de vícios, que vão de álcool a crack. Salaam foi atrás, para gravar músicas do projeto, ainda sem nome. E pensar que há nove anos ele quase se recusou a ouvir uma garota de Londres cantando Garota de Ipanema em inglês. Depois da insistência de amigos, escutou a novata, mas não foi arrebatado. "Nunca tive certeza de que ela venderia um bilhão de discos", disse.

Mas Amy-menina-má vendeu o suficiente para figurar entre os dez artistas mais rentáveis no Reino Unido. O comportamento encrenqueiro não influencia nos números, acredita o produtor. "Não é pose, é música. Há mil garotas como ela. Mas não com a voz dela."

"Ela é uma peça única!", faz eco o DJ Bioux, falando sobre a Amy-amiga. Dos oito anos em que se conhecem, Bioux reteve a impressão da companheira "atenciosa, divertida e que gosta muito de encostar". Exclui da conta a noite de 12 de julho de 2008, quando ele e Amy estrearam uma festa em que tocariam discos de soul da década de 1960. Talvez a memória tenha sido lesada pelo sopapo na orelha que o jornal The Sun diz que ele levou de uma alucinada Amy na primeira edição da balada. "Pessoas fazem coisas loucas", comenta ele sobre a coça festiva. O projeto morreu na noite em que começou, mas ele garante que o fiasco não envenenou a amizade.

"Eu me afastei dela como me afastei de outros amigos, tá?! É assim a vida." Termo da ligação, sem despedidas. A quem interessar possa, Bioux atende como discotecário fixo das quintas do Monarch, clube em Camden, distrito londrino que abairra boêmios como Amy e alternativos como a quiromante e astróloga Amelie Appleby.

A pedido do Estado, Amelie fez o mapa astral da artista que viu errando na rua "uma ou duas vezes". "Sem a orientação necessária, ela vai se destruir!" Depois de alardear, a vidente assopra uma dica para quem participa dos "bolões" com a data de perecimento de Amy, uma virginiana nascida a 14 de setembro de 1983: a bomba-relógio astral que é a inglesa só deve ser adiada de explodir por mais um ano. É que aos 28 anos vem a revolução do seu céu astral.

Aquário é o signo que passa a reger a vida de Amy. O aquariano tende a internalizar seu caos externo, garante a futuróloga. "Ela será, então, uma nova mulher", diz, com firmeza, Appleby.

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