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Amor, tragédia e certa esperança

Para o diretor Rupert Sanders, ideia era criar 'um mundo totalmente novo'

PEDRO CAIADO, WEST SUSSEX / INGLATERRA - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2012 | 03h08

Desde o lançamento de Branca de Neve e os Sete Anões em 1938, o conto de fadas da Disney - a primeira animação lançada pelos estúdios - foi recriada numerosas vezes, não só no cinema, mas também no teatro, além de ser citada em musicais e videogames, entrando para o imaginário da cultura popular.

A história da bela e ingênua princesa, envenenada pela maçã da diabólica Rainha Má, foi fonte de referência para o cinema por muitos anos. Nada mal para um conto de apenas sete páginas, escrito originalmente pelos irmãos alemães Grimm, em 1812. Desde sua história original, alguns aspectos foram adicionados, como o nome de cada um dos anões (criação da Disney), mas nunca o conto de fadas havia ganho uma versão tão distante da eternizada pela Disney há mais de 70 anos.

O Estado viajou até o Castelo Arundel, em West Sussex, a três horas de Londres, para encontrar o elenco do novo blockbuster, a aposta do ano da Universal, Branca de Neve e o Caçador. Os grandes salões e enormes corredores, que lembram a Idade Média, serviram de cenário para um bate-papo descontraído sobre a nova adaptação de Branca de Neve.

"Eu adorei a possibilidade de recriar o mundo do conto de fadas que foi descrito em apenas sete páginas. Não havia regras a seguir, como em um filme de super-heróis por exemplo. Tive a liberdade de poder criar um novo mundo", avalia o britânico Rupert Sanders. O diretor de 41 anos, novato em Hollywood, chamou a atenção do grande estúdio após ganhar vários prêmios por seus comerciais de TV cheios de efeitos visuais.

Na entrevista, afirma que não se intimidou com o tamanho do projeto do grande estúdio. "Realizei grandes comerciais no passado e sabia onde estava me metendo e que havia um grande risco por causa do tamanho do projeto. Muitas cenas foram complicadas de fazer, mas você tem que ser meio louco para dar certo nessa indústria", reforça o diretor, que trabalhou na criação de comerciais nos últimos 12 anos.

O novo longa adapta o conto de fadas para um cenário de Idade Média. A Rainha Má, Ravenna, interpretada por Charlize Theron, planeja conquistar o reino da Inglaterra, mas precisa antes consumir o coração da bela Branca de Neve, uma heroína no estilo Joana D'Arc, para assim atingir a imortalidade.

Ravenna precisa impedir que a heroína seja sua sucessora no trono e, para isso, contrata um Caçador, vivido por Chris Hemsworth. O restante da história todos nós já sabemos, mas espere algumas surpresas nesta versão. A mais famosa frase ligada à história - "Espelho, Espelho Meu" -, também está no filme, que, desta vez, utiliza um peculiar objeto dourado que não reflete imagem alguma. "Vi uma escultura de um cara com os braços cruzados, criada pelo artista irlandês Kevin Francis, e pedi que desenhasse um espelho nesse estilo", lembra o diretor sobre um dos principais itens do filme. "Na verdade, Ravenna está falando com ela mesma e, por isso, o espelho não reflete a sua imagem."

Outra grande ousadia desta versão de Branca de Neve não foi escalar a jovem Kristen Stewart para o papel principal, mas atores de estatura normal para o papel dos anões, que, desta vez, são oito. Por quê? "Eles são atores incríveis. Há mais bons atores de estatura normal que de estatura pequena, certo? Eles tiveram de usar próteses, mas também utilizamos alguns truques de computador para inserir a face dos atores no corpo de dublês anões ou simplesmente reduzimos o tamanho das pernas dos atores em computador", comenta.

O australiano Chris Hemsworth, famoso pelo personagem de Thor, é o Caçador, um papel antes oferecido a Johnny Depp. "A história não era muito importante para mim. Gosto desses personagens grandes, heróis e filme épicos e fantásticos. A trama é sobre esperança e inspiração e amor e tragédia", diz o ator de 28 anos, que acaba de se tornar pai. Em uma das cenas, o ator levou um soco da atriz Kristen Stewart e pensou que havia quebrado o nariz. "Nós ensaiamos algumas vezes, mas, quando gravamos, ela chegou muito perto do meu rosto e me acertou. Eu até perguntei se ela não era lutadora profissional", recorda ele, sorrindo.

Branca de Neve e o Caçador não utiliza o 3D, como muitos filmes do verão americano. O diretor foi enfático: "Alguns longas precisam da mágica do 3D, mas não este. Sei que muito do que fizemos neste filme funcionaria em 3D, mas odeio ter de usar óculos", acrescenta Sanders.

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