Amor e violência

Júlia Lemmertz e Ângelo Antônio levam novo longa de João Jardim a limites de intensidade e ousadia

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

Existem momentos emblemáticos no longa de João Jardim que estreia hoje. Amor? nasceu de uma pesquisa que a jornalista Renée Castelo Branco e o diretor fizeram, entrevistando cerca de 60 pessoas, entre homens e mulheres, sobre os temas do amor e da violência. Agredidos e agressores enquanto ainda existe afeto. Amor (com interrogação). Os depoimentos escolhidos, por serem invasivos, foram ficcionalizados por atores e atrizes.

Foi muito interessante assistir ao filme numa sessão do Clube do Professor, em São Paulo. Havia, predominantemente, mulheres na sala. A reação mais forte foi na fala de Ângelo Antônio. O personagem usa um linguajar chulo. Antônio é intenso, como sempre. "Senti o mesmo incômodo do público na sessão aqui em Belo Horizonte", conta o ator, numa entrevista por telefone.

Ele lembra de quando (e como) João Jardim lhe fez o convite. O primeiro movimento de Antônio foi recusar, pois estava numa novela, mas Jardim insistiu. Afinal, seriam apenas dois dias. Quando recebeu o texto, ele pirou. "Aquilo foi avassalador para mim", conta o ator. "É loucura, mas também é lucidez. Fiquei muito perturbado." Antônio acrescenta que os tais dois dias se multiplicaram por dez - foram 20 dias de preparação e absorção do texto, para dizê-lo de um jato, num plano-sequência (captado com duas câmeras).

"O filme foi tão importante para mim que influenciou decisões que eu estava tendo de tomar no momento", o ator conta. E sair do personagem foi fácil? "Que nada, aquilo ficou como um fantasma me perseguindo." Outro momento emblemático - o depoimento de Júlia Lemmertz. Quando ela está saindo da personagem, a câmera continua filmando e o diretor, que realiza a entrevista, faz uma pergunta que não estava no script. "Aquilo é maravilhoso, fico arrepiado só de lembrar", diz Antônio.

A própria Júlia, num encontro com o repórter no aeroporto, havia destacado a inteligência e sensibilidade com que João Jardim consegue tratar de temas tão difíceis quanto amor e violência. À definição de "violência doméstica", ela prefere "amor torto". Foi difícil fazer o papel? "Nunca é fácil, mas o bom é sempre o desafio, essa coisa de ir além." E ela acrescenta - "Fui tomada pelas palavras. Pela história. Senti que fui absolutamente sincera, tanto que me olho e não me reconheço, nem mesmo o meu jeito de falar como atriz."

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