Amor e Paixão em tempo de internet

Gregório Duvivier e Clarice Falcão, ambos escritores e atores, de 25 e 21 anos, são namorados há um ano e meio. A pedido de Maria Eduarda, uma atriz amiga, decidiram escrever uma peça de teatro sobre um homem e uma mulher, John e Clara, que se relacionam exclusivamente por e-mail e, através desse contato, tentam dar alguma graça a seu tédio particular.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2011 | 00h00

Na vida real, o casal criou contas de e-mail com os nomes de John e Clara, e passou a trocar as mensagens das quais os personagens falarão. No palco do teatro do charmoso Centro Cultural da Justiça Federal, na Cinelândia, desde sexta-feira e sob a direção de Bel Garcia, da Cia dos Atores, Gregório vive o publicitário nômade John, de codinome johnnyguitar; Clarice cede a vez a Maria Eduarda.

O nome que escolheram para seu primeiro espetáculo teatral: Inbox (caixa de entrada de e-mails). Curiosamente, não há computadores em cena. Quando estão on-line, uma luz se acende à sua frente. A Wikipédia virou uma enciclopédia. Foi uma opção de Bel para escapar do recurso óbvio.

Clara, aparentemente desgostosa de seu casamento, é autora de dois livros pelos quais John, publicitário, é fissurado (tem todas as edições de seus dois livros, recorta notícias de jornal e cola em sua agenda, como um garotinho).

O texto é puro flerte, com momentos de ternura e de melancolia, de intimidade rápida entre estranhos (ou quase, como se vê ao fim da trama). "Esperar pelos seus e-mails tem sido a melhor parte do meu dia", diz Clara numa mensagem, já envolvida com o estranho que a corteja com frases certeiras.

A princípio, Gregório escreveria os e-mails de John, e Clarice, os de Clara. Mas a sintonia é tamanha que os textos se misturaram, os estilos se amalgamaram, e as fronteiras sumiram.

"Nossas caras são parecidas", diz Gregório. "Acho que a gente pegou o melhor do estilo de cada um", emenda Clarice. A quatro mãos, eles já haviam escrito dois episódios da série da TV Globo As Cariocas e de dois programas que devem começar a ser gravados em agosto: As Brasileiras, projeto de Daniel Filho, e Louco Por Elas, dirigido por João Falcão, pai de Clarice.

Para começar no teatro, pensaram num universo familiar à geração dos vinte-e-poucos-anos. "A gente achou que era melhor para ter menos risco de errar feiamente. O texto sempre tem alguma coisa da gente, principalmente por ser tão verborrágico", conta Clarice, atriz de Vendemos Cadeiras, programa do Multishow, com Gregório e outros atores.

"Hoje em dia, temos toda a vida documentada no e-mail: as relações amorosas, com os amigos, os familiares. Aqui materializamos o máximo possível", explica Gregório, conhecido pelo show de humor Z.É. - Zenas Improvisadas, dividido com Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga, e pelo humorístico Junto & Misturado, na Globo. E, a partir de sexta-feira, ele poderá ser visto também nos cinemas em Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, novo filme de Hugo Carvana.

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