'Amor de Perdição' está entre os favoritos em Locarno

Co-produção lusitano-brasileira, dirigida pelo cineasta português Mário Barroso, impressionou pela qualidade

Rui Martins, especial para o Estado,

14 de agosto de 2008 | 17h18

A co-produção lusitano-brasileira, dirigida pelo cineasta português Mário Barroso e baseada num clássico da literatura de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, está entre os favoritos na competição internacional do Festival de Locarno.   Veja também: Curtas reúnem brasileiros; conheça nosso homem em Locarno 'Dez Elefantes', de Eva Randolph, estréia em Locarno Com muitos aplausos, 'Filmefobia' estréia em Locarno   A adaptação do romance para uma Lisboa contemporânea foi feita com sucesso e o filme impressionou pela qualidade, nada de se surpreender, pois Mário Barroso trabalhou com Manoel de Oliveira, como assistente de câmera e ator em dois filmes, com quem aprendeu o rigorismo mas sem adotar o mesmo ritmo. Ao contrário, Amor de Perdição é um filme com o mesmo ritmo dos filmes europeus.   Já houve quatro adaptações de Amor de Perdição ao cinema, uma delas do próprio Manoel de Oliveira. "Manoel de Oliveira fez uma adaptação completa do romance, mas eu não queria isso e sim uma adaptação livre e moderna, mostrando a revolta de um adolescente obstinado, que o levou à autodestruição e não a história de um amor impossível", diz Barroso.   Barroso lembrou que, no século XVIII, no qual se desenvolve o livro de Castelo Branco, era importante a figura do patriarca da família, coisa inexistente nos dias de hoje. Seria impossível proibir dois jovens atuais de se encontrarem e se corresponderem, porque existem as mensagens sms e os computadores.   O ator Tomás Alves é excelente no papel do jovem filho da alta burguesia lisboeta, revoltado e, no filme, a violência movida pelo ódio é mais forte que o amor. "Na verdade, Teresa, alvo do amor de Simão aparece no filme mais como uma ficção, pois aparece rapidamente, deixando a impressão de ser apenas um pretexto para a explosão da revolta de Simão", explica o cineasta.   A participação brasileira nessa co-produção foi apenas no nível técnico. Mário Barroso é consciente das diferenças entre o que se fala em Portugal e Brasil e, como disse, se passar no Brasil será preciso legendá-lo.

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