Amor ao filho pode ter selado destino de Lennon, diz Yoko

Viúva diz que ex-Beatle quis voltar para casa para ver Sean, ao invés de ir jantar

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h17

A decisão de John Lennon de ver o filho antes que ele fosse para a cama no dia em que o ex-Beatle foi assassinado, em 1980, pode ter selado o seu destino, de acordo com revelações feitas pela sua viúva, Yoko Ono, em entrevista à Rádio 4 da BBC. "Nós estávamos voltando do estúdio e eu disse ´será que nós deveríamos ir jantar antes de ir para casa?´ e John falou, ´não, vamos para casa porque eu quero ver Sean antes que ele vá dormir´", afirmou Yoko Ono. "Ele não tinha certeza se nós voltaríamos para casa antes que ele (o filho, Sean) fosse dormir e estava preocupado com isso. Essa foi a última coisa que ele disse, que queria ver Sean", disse a viúva, sobre a noite de 8 de dezembro de 1980, quando o ex-Beatle foi mortalmente ferido por Mark Chapman na frente do prédio em que morava em Manhattan. Yoko Ono, de 74 anos, revelou ainda na entrevista que ficou grávida pouco depois da reconciliação com Lennon em 1975, depois de dois anos de separação. Ela disse que deixou que o ex-Beatle decidisse se ela deveria fazer um aborto ou não. "Eu simplesmente não quis amolá-lo com uma coisa que ele não queria", disse Yoko Ono. Segundo ela, Lennon ficou "muito chateado" que ela tivesse pensado em aborto. "Racismo" Yoko Ono, uma artista plástica nascida em 1933 no Japão, foi acusada de ser responsável pela separação dos Beatles e hostilizada por público e imprensa no Reino Unido. "O racismo sempre esteve lá, tinha algo a ver com John ser o tesouro deles (dos fãs) e eu roubei isso deles", disse a artista na entrevista ao programa Desert Island Discs. "Foi doloroso de certa forma, mas eu tinha John ao meu lado, o que ajudou. Era quase como se aquelas coisas estavam acontecendo longe então aquelas coisas lá fora não machucaram tanto." Yoko Ono disse que houve "narcisismo" no protesto organizado pelo casal contra a guerra do Vietnã em sua lua-de-mel. O evento, em que ambos deram entrevistas para a imprensa mundial da cama do hotel em que estavam em Amsterdã, ganhou as manchetes do mundo. A artista plástica disse que tem a missão hoje de proteger a memória do marido. "Depois do falecimento de John foi um prazer, na verdade, ficar protegendo o seu trabalho e eu prezo o fato de que eu acho que fiz o melhor que pude", afirmou. "Mas, ao mesmo tempo, a maior parte do meu tempo foi gasto nisso e eu acho que Sean não deveria se amolar com isto."

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