Amilcar de Castro, poeta da forma

Conhecido por sua precisão e sensibilidade no manejo de materiais duros e secos, o mineiro Amilcar de Castro - o poeta das formas, das cenas e das mensagens - chega aos seus 80 anos. "E não é pouca coisa não", diz ele. Em uma prosa a moda mineira, durante a montagem de sua exposição na Galeria Thomas Cohen, aberta neste sábado ao público, ele demonstra estar honrado com o respeito ao seu trabalho e a sua idade. E para tanto preparou uma série especial de 23 esculturas e 18 desenhos que deverão saciar a saudade dos admiradores, que vivem distantes de "sua" Belo Horizonte. Para os amigos mais íntimos, a galeria realizou na última quinta-feira "uma festa de aniversário especial", já que a comemoração de seus 80 anos não pôde ser organizada em junho. Suas obras, pequenas ou gigantescas, respeitam uma estrutura integrada ao espaço. Amilcar de Castro gosta de deixá-las à vontade, sem nome e sem roupa. Nenhuma de suas peças de metal - material usado nesta exposição - têm títulos ou sofrem a "interferência" das tintas. A cor ficará por conta do lustre do ferro ou pelo desenho formado no processo de corrosão. "Se você escolher a chapa de ferro para criar um novo universo e resolver pintá-la, a mensagem ficaria falsificada. Já que a cor traz outros elementos", explicou o artista.A tinta, o visitante só verá em seus quadros. No total, serão 18 desenhos. Mas ainda assim, por respeitar o diálogo com as cores, só usa azul, amarelo, vermelho, preto e branco. A atual exposição na Galeria Thomas Cohn apresentará quase todos os momentos da trajetória de Amilcar de Castro com o metal. Terá tanto a técnica da dobras quanto a do corte. Mas seja lá qual for o estilo, o interessante seria conhecer o solitário processo de criação. "Primeiro desenho a peça, depois faço uma maquete em papel e depois em ferro de chapa fininha, que eu acho o mais difícil, ai depois ela será moldada". Mas por que não trazer ou expor estas "peculiaridades"? Segundo ele, até que seria interessante, mas com um jeitinho mineiro desconversa, e dificilmente acontecerá. "Isso é apenas uma brincadeira". Seria, no entanto, um deleite confrontar as mesmas idéias em ferro e em papel, pelas mãos que já domaram madeira, cobre, barro, vidro e alumínio. Projetos - Para o ano que vem, Amilcar de Castro promete uma individual no Pátio do Colégio São Paulo, dentro das comemorações da inauguração do Centro Cultural do Banco do Brasil, ainda em construção.Galeria Thomas Cohn - fica na Av. Europa, 641. São Paulo. Fone (11) 883-3355. De 16 de setembro a 14 de outubro.

Agencia Estado,

16 de setembro de 2000 | 14h08

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