Amilcar de Castro morre aos 82 anos

O escultor Amilcar de Castro, de 82 anos, faleceu no início da madrugada desta sexta-feira no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG). Há cerca de 15 dias, ele foi internado e se submeteu à uma angioplastia coronariana, mas o quadro se complicou nos últimos dias e o escultor acabou falecendo, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória.Amilcar de Castro nasceu em Paraisópolis, Minas Gerais, em 8 de junho de 1920. Filho de um juiz, formou-se advogado na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, em 1945. Um ano antes, porém, iniciava o curso de Desenho e Pintura com Alberto da Veiga Guignard e o de Escultura Figurativa com Franz Weissmann.Em 1953, fez sua primeira escultura, inspirado numa obra do suíço Max Bill. Ao longo de quase 50 anos de carreira, contruiu uma sólida carreira, que lhe valia na opinião de muitos o título de maior escultor vivo do País.A predileção por linhas geométricas e sua freqüente aplicação em materiais difíceis de serem trabalhados, como o ferro e o granito, marcaram sua produção. "Gosto de coisas retas, diretas, simples; gosto de fazer uma escultura que não deixa restos", dizia.Apesar da concisão e rigor com que moldava materiais tão duros, suas esculturas não demonstravam frieza. Ao contrário, revelavam a poesia singular de um artista, para quem arte é emoção. No fim dos anos 50, Amilcar integrou o Manifesto Neoconcreto, para ele o maior acontecimento da arte brasileira.Amilcar se dizia antes de mais nada um desenhista. A partir dos desenhos, nasciam suas pinturas, gravuras e esculturas. Nasciam também diálogos com outras áreas artísticas, como os estudos para a grife mineira Patachou, a cenografia da escola de samba da Mangueira, nos anos 60, e a diagramação de diversos jornais. "Não penso em nada senão fazer o desenho", disse ao Estado, em 2000, por ocasião das homenagens aos seus 80 anos.À época, aproveitou para avaliar que achava muito boa essa "história" de virar octagenário, e em atividade. "Não sou de parar", afirmou. "Acho que arte é vida, sem ela não dá para viver". Amilcar era casado com dona Dorcília e tinha três filhos, Rodrigo, Ana Maria e Pedro.

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