Amigos reverenciam dona Ivone Lara

Dama de Madureira será homenageada hoje no Prêmio de Música Brasileira

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Na ativa. Aos 89 anos e com dificuldade para caminhar, Dona Ivone segue trabalhando: "Enquanto houver música na minha vida, eu vou indo, indo, indo...até o momento que Deus quiser"        

 

 

 

 

Amigos, parceiros e devotos vão reunir-se hoje no palco mais nobre do Rio, o do Teatro Municipal, para cantar e reverenciar um ícone do samba carioca, Dona Ivone Lara. A dama de Madureira, 89 anos e na ativa, é a artista homenageada pelo Prêmio de Música Brasileira, que em sua 21.ª edição percorrerá alguns de seus grandes sucessos, nas vozes de intérpretes como Caetano Veloso (Acreditar), Lenine (Alguém Me Avisou) e Maria Gadú (Força da Imaginação).

A noite não é somente de tributo, mas de disputa também, e entre os mais indicados estão medalhões como Maria Bethânia (pelos CDs Encanteria e Tua), Ney Matogrosso (Beijo Bandido), Caetano Veloso (que desta vez foi incluído na categoria pop/rock/reggae/hip hop/funk, e não MPB, com Zii e Zie), e iniciantes, caso do grupo carioca formado na Lapa Galocantô (concorrente como melhor grupo de samba) e Patricia Mellodi (como melhor cantora de canção popular).

Os 21 jurados (compositores e jornalistas) analisaram 695 CDs e 103 DVDs, incluindo lançamentos independentes, encaixados em 16 categorias. Criado pelo produtor José Maurício Machline, é o prêmio mais abrangente do País. Este ano, Machline voltou ao Municipal, já que pôde contar com patrocínio - da Vale; ano passado, fez tudo apenas com a ajuda dos amigos da área de shows).

Para Dona Ivone, o momento é de deleite. "É muito bom a gente poder ser reconhecida por nossa obra em vida, e ainda por cima poder assistir a uma homenagem como essa, no prêmio de música mais importante do Brasil", diz a sambista, que não para, apesar de ter operado uma perna no fim de 2009 e estar se apresentando sentada. "Enquanto houver música na minha vida, eu vou indo, até o momento que Deus quiser!"

Sua história com a música vem de décadas. Ivone começou a acompanhar a mãe, cantora de rancho, quando tinha 5 aninhos. Aos 12, compôs Tiê. Juntou-se ao primo Mestre Fuleiro, que a levou para o Império Serrano, sua escola de samba. Lá, tornou-se a primeira mulher autora de samba-enredo, no ano de 1965.

A artista que a tornou conhecida foi Clara Nunes, que gravou Alvorecer em 1974; quatro anos depois, Maria Bethânia eternizaria Sonho Meu. Ainda viriam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Ribeiro, e, mais recentemente, Marisa Monte e Roberta Sá. "Acho uma maravilha que a minha música tenha ultrapassado limites de país, de idade e de formações musicais", orgulha-se Dona Ivone, melodista caprichosa.

Parceria. Mesmo reconhecida como compositora - até hoje persiste a "parceria mediúnica" de 35 anos com o letrista Delcio Carvalho, coautor de Sonho Meu, Alvorecer, Acreditar, Candeeiro da Vovó, Minha Verdade, entre outros clássicos - trabalhou como enfermeira até se aposentar, em 1977. Em 1979, gravaria o primeiro disco, Samba, Minha Verdade, Minha Raiz, já com 58 anos. Esta noite, Dona Ivone Lara abre o prêmio cantando Sorriso Negro, sucesso de 30 anos atrás.

QUEM É

JOSÉ MAURÍCIO MACHLINE

EMPRESÁRIO E PRODUTOR

Idealizador, em 1987, do Prêmio da Música Brasileira, que hoje é o mais longo e mais importante da MPB

MELHORES DISCOS

CANÇÃO POPULAR

Autorretrato, Kleiton e Kledir Tecnomacumba, Rita Ribeiro

O Coração do Homem_ Bomba ao Vivo Mesmo, Zeca Baleiro

INSTRUMENTAL

Saudade do Cordão, Guinga e Paulo Sérgio Santos Afro Samba Jazz, Mario Adnet e Philippe Baden Powell Luz da Aurora, Yamandu Costa e Hamilton de Holanda

MPB

Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão, João Bosco Encanteria, Maria Bethânia

Beijo Bandido, Ney Matogrosso

POP ROCK

Zii e Zie, Caetano Veloso Rock "N" Roll, Erasmo Carlos Sabor Do Gesto, Zélia Duncan

SAMBA

Chutando o Balde, Nei Lopes Padeirinho Mangueira, Tantinho Preceito, Toninho Geraes

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