Amigos dão adeus a Waly Salomão

O velório do poeta e compositor Waly Salomão, no sagüão nobre da Biblioteca Nacional, na Cinelândia, é acompanhado por amigos de uma vida inteira, como a colega de tropicalismo Gal Costa. Ela lembrou a irreverência de Waly e se mostrou chocada com a morte rápida - ele descobrira o câncer no intestino havia apenas duas semanas.Gal disse que a morte do compositor - autor de seu grande sucesso Vapor Barato, em parceria com Jards Macalé - foi uma supresa para ela. "Para mim foi uma surpresa, a pior possível. Estou chocada, angustiada, triste e saudosa. É horrível ver morrer um cara tão jovem e num momento legal da vida dele", disse, em referência ao cargo de Secretário Nacional do Livro e da Leitura, que lhe foi dado pelo amigo Gilberto Gil, ministro da Cultura, e lhe deixara empolgado.Gal lembrou da convivência com Waly, baiano como ela e natural de Jequié, na época do movimento tropicalista. "Ele cresceu com a gente. Foi um cara importantíssimo na minha vida. Era um amigo presente, que me dava força e me incentivava, um cara catalizador, que foi um nome importante na música, na literatura e nas artes plásticas." A cantora destacou ainda a mania de Waly de fazer piadas sobre tudo, o que também foi lembrado pela cantora Preta Gil, que foi ao velório com a mãe, Sandra Gadelha. "Ele era apessoa mais escrachada que eu conheci, depois de mim. Grande parte da minha personalidade foi influenciada por ele, já que cresci com sua presença. Ele era como um tio, irmão da minha mãe. São todos da mesma geração, vieram juntos da Bahia", disse Preta.O velório estava marcado para as 16 horas, mas o corpo só chegou às 17h30, quando já era aguardado por amigos como Jards Macalé, Antônio Cícero, Scarlet Moon e André Midani. Também Caetano Veloso e Adriana Calcanhoto atenderam ao velório do amigo. O ministro Gilberto Gil, pai de Preta, é esperado na Biblioteca Nacional à noite, já que esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da polêmica envolvendo as novas diretrizes de concessão de patrocínios pelas empresas estatais, rechaçadas por cineastas e produtores.Jorge Salomão, irmão do poeta, contou que esteve com ele pela última vez há uma semana. "Foi tudo muito rápido. Da última vez que o vi, ele percebeu que eu estava choramingando e, daquele jeito dele, me mandou cuidar da minha vida." Salomão contou que ele e o irmão tiveram contato com os livros desde crianças. "Waly foi estudar em Salvador e me estimulou a ir também. Em Salvador, ele e os outros baianos fizeram uma verdadeira revolução."O produtor cultural Ricardo Cravo Albim disse que Waly "eramuito mais do que um poeta, do que um extradionário agitador cultural, do que um estupendo diretor de shows - os mais lindos que a MPB já teve. Waly era múltiplo, poliforme, quase tanto quanto Mário de Andrade. Ele ele era uma centena." Albim disse que "todos nós ficamos desoladamente mais pobres." Trinta músicos do Grupo Cultural Afroreggae, formado por jovens da Favela Vigário Geral e apoiado por Waly, também prestaram homenagem.

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