Amigos da academia se despedem de Geraldo França de Lima

O corpo do escritor Geraldo França de Lima, de 88 anos, que ocupava a cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras, foi enterrado neste domingo no mausoléu da instituição, no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Lima morreu na noite de sábado, no hospital São José, onde estava internado há dois meses, com endocardite bacteriana (inflamação no coração), segundo informou a sobrinha, a médica Silvana de Lima, filha do único irmão vivo, José Leopoldo de Lima.O corpo do escritor foi velado no Petit Trianon, sede da ABL, por onde passaram os acadêmicos Tarcísio Padilha, Murilo Mello Filho, Alberto Venancio Filho, Alberto Costa e Silva (presidente da Casa) e Antônio Olinto.Geraldo França Lima era mineiro de Araguari e foi para o Rio de Janeiro no fim dos anos 40, acompanhando o então ministro da Justiça, Bias Fortes, de quem foi assessor. Antes, tinha morado em Barbacena, terra de Bias, onde começou a carreira literária, dedicada à ficção regional, por influência do escritor Guimarães Rosa, o melhor amigo.Escreveu 12 romances (o mais famoso, "Serras Azuis", virou novela na TV Bandeirantes), além de contos e poemas. Foi também assessor do presidente Juscelino Kubitschek e de Tancredo Neves, quando era deputado federal. Lima foi casado com Lygia Bias Fortes de Lima, que morreu há sete meses.A morte deixa a Academia com 37 membros. Na última quinta-feira, o crítico literário paulista Alfredo Bosi foi eleito para a vaga de dom Lucas Moreira Neves, vencendo o escritor e roteirista José Louzeiro com 27 votos. Ele toma posse no segundo semestre. Louzeiro garantiu que se candidata novamente e deve se inscrever assim que a vaga de Lima for declarada aberta, na sessão da saudade, na quinta-feira desta semana. A eleição deve ocorrer também no segundo semestre.No dia 24 de abril, será eleito o sucessor do jurista Evandro Lins e Silva. Há 13 candidatos e duas mulheres são as mais cotadas, a escritora Ana Maria Machado e a arqueóloga Maria Beltrão. Outros dois candidatos têm a simpatia dos acadêmicos, o escritor e advogado Fábio Konder Comparato e o crítico e professor Antônio Carlos Secchin.

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