Americanizando Smurfs

Pergunte a um sem-teto de Nova York se ele viu duendes azuis pela cidade e a resposta será óbvia: claro, eles estão por todo lugar! São avistáveis desde a parada de St. Patrick pela Quinta Avenida, que acontece há quase 300 anos, até nas figuras de Halloween que infestam o metrô em outubro. E, agora, eles podem estar também andando pela cidade no teto de um táxi, disfarçados de integrantes do Blue Men Group.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

São os Smurfs, personagens criados pelo belga Peyo (Pierre Culliford, morto em 1992) há 53 anos, em turnê em 3D pela Big Apple, no filme que estreou na sexta passada em todo o País. Como é que os Smurfs foram parar no coração da indústria cultural norte-americana? Bom, essa é uma questão que só o diretor Raja Gosnell (de Scooby-Doo) e seus roteiristas podem responder. Personagens sem pressa, com o timing típico dos quadrinhos europeus, eles vão viver sua vertiginosa nova aventura em 3D no Central Park, com efeitos pirotécnicos e enfrentando os perigos das megastores e de uma vilã financista.

Desastrado, Arrojado, Smurfette, Gênio, Ranzinza, Fominha Papai Smurf,: duendes azuis com senso de humor da bande dessinée soltos por Manhattan, contracenando com atores (e animais) de carne e osso. O pior é que isso não se revelou uma má ideia. O filme cai bem para crianças de 3 a 12 anos, e no final tem gags boas para os pais também, não os deixa enfastiados na sala de cinema. Há um excesso de merchandising, uma antiga crueldade associada a filmes de apelo infantil, e vende-se de tudo - do game Guitar Hero a ferramentas da internet.

No meio da saga dos Smurfs para encontrarem a Lua Azul, os atores de carne e osso protagonizam uma espécie de comédia romântica paralela, e o vilão deita e rola. Hank Azaria, como Gargamel, está engraçadíssimo. Ele já tinha feito plateias se doerem de rir com personagens cômicos, caso do Hector Gorgonzolas de Os Queridinhos da América. O "Mestre Winslow" dos duendes é Neil Patrick Harris, publicitário em começo de carreira casado com a doce Grace (Jayma Mays). Ambos esperam um filho, mas recebem outro tipo de visita antes.

Há um delicado (se é que isso é possível) senso de escatologia, que só chega até as porcarias típicas que as crianças adoram ver (vômito de gato, coisas assim). Sofia Vergara, como a ambiciosa fabricante de perfumes Odile, é uma Cruela Cruel de Wall Street. O filme tem até alguma auto ironia, como na cena em que os Smurfs "reais" são cobiçados numa loja de brinquedos por crianças. A essa altura, a linha de produção do McDonald"s já estava a pleno vapor, fabricando os bonequinhos de brindes.

OS SMURFS

Título original: The Smurfs. Direção: Colin Brady. Gênero: Comédia (EUA/2011, 103 minutos).

Censura: Livre.

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