Jay Maidment/Divulgação
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América Pop

O Capitão do diretor Joe Johnston chega amanhã ao País e homenageia cineastas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

Criado por Joe Simon e Jack Kirby, o Capitão América surgiu em 1941, como parte do esforço de guerra nos EUA. O país se preparava para entrar na 2.ª Guerra - formalizado a partir do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro -, mas as HQs e o próprio cinema já estavam no front, combatendo os nazistas que avançavam na Europa (e os japoneses que se consolidavam na Ásia). O Capitão América é o alter ego de Steve Rogers. Em 1944, interpretado por Dick Purcell, ele já protagonizava um seriado muito popular na época.

Setenta anos depois, o Capitão América ganha sobrevida na tela e, na interpretação de Chris Evans - de Quarteto Fantástico -, toma de assalto amanhã cerca de 400 salas de todo o Brasil, na expectativa de repetir a performance nos cinemas norte-americanos, onde bateu o episódio final da saga de Harry Potter. O curioso é que, com o novo Capitão América, o antigo também volta à cena, em DVD, lançado pela Classicline.

Para tornar a aventura mais grandiosa, o Capitão América de 2011 foi produzido em 3-D, mas o mais impressionante da tecnologia é o que ela permite ao diretor Joe Johnston fazer - Steve Rogers, no começo, é um cara tão insignificante que, apesar das numerosas tentativas, é sempre recusado na tentativa de se alistar para combater nazistas. Chris Evans aparece franzino nessas primeiras cenas, até ser recrutado pelo cientista Stanley Tucci para ser cobaia de um experimento.

Você vai manifestar o mesmo espanto da mocinha Hayley Atwell quando Chris Evans sai transformado de dentro daquela máquina - com tantos músculos que a tecnologia deve ter sido chamada para realçar a força física do ator. O bacana é a homenagem que Joe Johnston presta ao Quentin Tarantino de Bastardos Inglórios. O bando que Rogers/Evans forma é obviamente calcado no do filme com Brad Pitt.

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BASTARDO GLORIOSO

De Querida, Encolhi as Crianças a Rocketeer e Jurassic Park III e, agora, a Capitão América - O Primeiro Vingador, o diretor Joe Johnston vem deixando uma marca na produção de Hollywood. Poucos críticos têm prestado atenção ao que ele quer dizer, mas Johnston, na sua modéstia, consegue ser um "autor". Rocketeer já tinha um super-herói e pin-ups - como o Capitão América. Que ele agora se aproprie de Bastados Inglórios, como Quentin Tarantino se apropriou do original de Enzo Castellari, representa um passo à frente.

As cenas em que o herói interpretado por Chris Evans forma seu bando para combater nazistas possuem divertidas ressonâncias com as do cult de Tarantino. O grupo reúne-se num pub e, quando o herói vai afogar a mágoa da morte do amigo - pela qual se sente responsável -, a taberna está em ruínas e ele, por mais que se empenhe em beber, não consegue ficar bêbado

Melhor ainda - a máquina de guerra, representada por Tommy Lee Jones, tende a ver o Capitão América como um soldado de mentirinha e, por isso, ele começa fazendo a sua guerra em Hollywood. Na verdade, foi assim que começou e, em 1941, o personagem surgiu como integrante do esforço de guerra contra o nazismo. Joe Johnston reafirma o Capitão América como integrante da máquina de propaganda antinazista. Cercado de pin-ups, ele derrota, golpes de murros, um Hitler chaplinesco. E quando sua participação na guerra começa para valer, o formato de cinejornal adquire o caráter de um making of.

Filme dentro do filme, Capitão América corria o risco de virar uma aventura ufanista e patriótica. É tudo o que Joe Johnston não quer fazer, embora o esforço do alter ego do herói para ser aceito no Exército ocupe boa parte da narrativa. A chave é o que o cientista Stanley Tucci diz à cobaia de sua experiência. Ele pede a Steve Rogers que não mude "aqui" - e aponta para seu coração

De Querida, Encolhi as Crianças a Jurassic III, o cinema de Johnston trata sempre de família. Aqui, pode não ser a família de sangue, mas é a escolhida e a dor da perda vai marcar as relações. Como o Thor de Kenneth Branagh, dos mesmos produtores - ao qual é superior - , Capitão América tem um final sob medidas para românticos. No filme de Branagh, uma ponte é rompida e separa os amantes (para sempre?). No de Johnston, outra ruptura no tempo leva o herói a faltar a um encontro decisivo. Não é uma invenção do diretor nem de seus roteiristas, mas das próprias HQs. Capitão América saiu melhor que a encomenda.

CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR

Direção: Joe Johnston.

Gênero: Ação (EUA/ 2011, 124 minutos). Censura: 10 anos

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