América Latina lamenta perda do 'imortal' Saramago, grande autor

Governantes e intelectuais da região exaltaram figura política e literária do escritor português

estadão.com.br,

18 de junho de 2010 | 22h43

SÃO PAULO- Os governos da América Latina e grandes escritores da região lamentaram nesta sexta-feira, 18, a morte de José Samarago, a quem qualificaram como um "imortal" graças ao legado de suas obras.

 

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O primeiro presidente a se pronunciar logo após o mundo se inteirar da morte do escritor português por causa de uma leucemia foi Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou a origem humilde e o caráter autodidata de Saramago, "um dos maiores nomes da literatura mundial". "Intelectual respeitado em todo o mundo, nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida", disse em comunicado enviado pela Presidência.

 

"José Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial", disse Lula .

 

 

Para o presidente, Saramago, o único Nobel de Literatura em língua portuguesa, foi um intelectual "respeitado no mundo todo", que nunca "esqueceu suas origens" e foi um defensor "das causas sociais e da liberdade por toda a vida".

 

O presidente do México, Felipe Calderón, também lamentou a morte do escritor, para ele uma "dolorosa perda" para o pensamento humanista contemporâneo.

 

Em nota, Calderón diz que "a obra de José Saramago é uma referência indispensável na literatura universal, já que permite entender, através da imaginação e de uma ironia sutil, as transformações da sociedade".

 

O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, e sua esposa, Vanda Pignato, destacaram a força das palavras de Saramago, sempre cheias de verdade. O casal afirmou em um comunicado que o escritor era um "amigo pessoal". "A notícia de sua morte nos comove e enche de tristeza a família presidencial e a sociedade salvadorenha", disseram.

 

O governo da Colômbia elogiou o escritor por seu "pensamento universal" e garantiu que sua morte implica na perda de "um dos seres mais representativos da literatura".

 

A ministra equatoriana do Patrimônio Cultural e Natural, María Fernanda Espinosa, disse que Saramago "era um grande ouvinte da realidade dos povos subalternos".

 

Igualmente aos governantes, destacados representantes da literatura latinoamericana também manifestaram sua tristeza pela morte do escritor e ressaltaram tanto sua figura social e política como literária.

 

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marcos Vinicius Vilaça, anunciou que a instituição fará três dias luto com a bandeira a meio haste pela morte de Saramago, que foi nomeado sócio correspondente da entidade em junho passado por sua contribuição à difusão do português como língua literária.

 

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que dirigiu o filme Ensaio sobre a Cegueira, de 2008, baseado na obra homônima de José Saramago, disse que, "definitivamente, hoje o mundo está ainda mais burro e cego".

 

O escritor argentino Santiago Kovadloff o considerou "um grande lutador" a favor da democracia até a caída da ditadura de Antonio de Oliveira Salazar em Portugal, em 1974.

 

Segundo Miguel Barnet, presidente da União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC), Saramago foi "um amigo fiel" de Cuba até o último dia de sua vida. Barnet ressaltou "sua ética, sua lucidez e pensamento coerente com seu ideário comunista".

 

O escritor colombiano Álvaro Mutis afirmou sentir uma tristeza "tremenda" pela morte de Saramago, um homem que se conduziu com rigor "em todos os atos de sua vida".

 

O poeta chileno Gonzalo Rojas considerou que o escritor português morreu prematuramente, pois o via "como um garoto" em plena ebulição criativa. "Quantos anos tinha José? 87 anos (...), era um garoto". O autor uruguaio Eduardo Galeano concordou com o colega chileno, ao dizer que Saramago "era o mais jovem dos escritores. E continuará sendo".

 

Para o escritor nicaraguense Sergio Ramírez, o prêmio Nobel luso "foi a consciência da literatura", "um juiz severo de sua época".

 

O diretor da Academia Hondurenha da Língua, Oscar Acosta, classificou a obra de Saramago de "sólida e muito exemplar". "Saramago foi um expoente da literatura peninsular", declarou à Efe.

 

Com informações da Efe e BBC

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