Ambição sideral requer um pouco mais de mistério

Crítica: Jotabê Medeiros

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h11

Partindo de uma atmosfera teen de ambiguidade sexual, com mais diversidade e menos ingenuidade, o segundo disco dos Vaccines desagradou à crítica, mas tem potencial de palco. As canções têm combustível para fazer um pequeno estrago em clubes e pubs. O problema é que a banda parecia estar em busca de um espaço maior. Não querem mais ser indie, querem ser grandes.

A ambiência mais grandiloquente aparece em músicas como Lonely World, que os encaixa dentro do espectro do britpop radiofônico. Mas é óbvio que falta um pouco de estofo ainda ao grupo, falta credibilidade na tragicidade da voz de Justin Young.

Change of Heart, Part. 2, prossegue nessa seara, buscando um eco superlativo que, quem sabe, possa alcançar os shows de estádio. Aftershave Ocean, a mais escancaradamente canção que busca pular a cerca da casa de Brian Wilson, é bonitinha, mas não chega a alcançar um nível melódico que promova o Vaccines à categoria de compositores de sua época. Eles parecem mais bem talhados para o face to face com uma plateia menor.

Weirdo acerta ao flertar com o delírio progressivo, mas falta vento para a pipa voar. A pegadinha de Oh, Carol no background de I Always Knew é um bom insight, mas não é uma solução em si. All in Vain persiste nesse esqueleto de classic pop, com resultado superior.

Falta um pouco também de mistério, de interrogação, nas letras do grupo. É um time de instrumentistas muito bom, encabeçado por um vocalista de impressionante fôlego e performance. Mas para pular da esfera punk para a esfera do rock de arena requer um pouquinho mais de ambição, e de preparo.

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