Amazônia, o que a arte pode fazer pela floresta

'Arte pela Amazônia' conta com 150 artistas do Brasil, incluindo grandes nomes do cenário de artes visuais

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

03 de março de 2008 | 17h51

Arte pela Amazônia é a ampla mostra que será inaugurada na noite de terça-feira, 4, para convidados e na quarta para o público, no terceiro andar do prédio da Fundação Bienal de São Paulo. Há de tudo: fotografia, instalações, pinturas, esculturas, objetos, vídeos e gravuras criados por três diferentes gerações de artistas. Essas obras são abrigadas na mostra dentro de núcleos livres, concebidos pelo curador Jacopo Crivelli Visconti de forma a promover aproximações entre as criações. Os núcleos não têm títulos próprios. Cabe ao espectador fazer suas relações.   Veja também: Galeria da mostra 'Arte pela Amazônia'    A iniciativa contou com a adesão de 150 artistas de todo o Brasil, incluindo os grandes nomes de nosso cenário de artes visuais, como Tomie Ohtake Tunga, Nelson Leirner, Paulo Pasta, Regina Silveira, Sandra Cinto, Thomaz Farkas e Maria Bonomi. Eles cederam suas criações para a mostra e, depois, para a realização de um leilão, previsto para o dia 3 de abril, em um shopping da cidade.   As escolhas das obras foram feitas pelos próprios artistas. Muitos criaram trabalhos específicos para o projeto; outros decidiram apresentar peças já prontas e há criadores que optaram por reeditar obras realizadas há tempos. "Não gosto de tema para trabalhos, então resolvi colocar uma obra inusual minha, uma monotipia de uma série de 2005 que nunca havia mostrado. Essa exposição é bacana, é um jeito de ajudar em algo", diz o pintor Paulo Pasta, referindo-se aos possíveis desdobramentos do projeto, voltado para uma criação de reserva natural na Amazônia. Sandra Cinto também entrou com a vontade de ajudar. "Nunca fico preocupada com o literal. Meu trabalho em si já tem relação com a paisagem e resolvi participar com um desenho inédito e novo", afirma a artista, que também indicou as jovens Michele Lerner e Alice Ricci a participar.   Preocupada em realizar ações de preservação da floresta e programas para a população ribeirinha local, a produtora da mostra é a Base 7 Projetos Culturais. "É fundamental chamar a atenção para a Amazônia e promover sua preservação consciente", diz o artista Ricardo Ribenboim, proprietário da Base 7, ao lado de Arnaldo Spindel e Maria Eugênia Saturni e principal articulador do projeto.   Como conta Ribenboim, que criou, ele próprio, a obra Intangível para a mostra, as primeiras conversas para a realização do projeto vêm sendo feitas há oito meses em parceria com a CO2 Soluções Ambientais. Com a verba do leilão, será criado um fundo para o recém-nascido Instituto Arte + Meio Ambiente, que, concebido este mês, poderá ter estrutura própria.   Tudo será focado para o plano de criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) a ser comprada em local já definido, no sul do Amazonas. "É uma área equivalente a 5,3 vezes o Parque do Ibirapuera", afirma Ribenboim. "As reservas particulares são uma solução saudável para a Amazônia. Os recursos são particulares, mas a guarda é do Governo", ainda diz. Segundo ele explica, quando se constitui uma reserva, não se constrói nada no local, mas se instalam censores em núcleos estratégicos que indicam se há queimadas e desmatamento na área. "Eles acionam a segurança", conta.   O local escolhido para a reserva particular, perto da divisa com o Mato Grosso, é, segundo Ribenboim, um lugar estratégico dentro da área de cinco Estados brasileiros que compreende a Amazônia. "Com o Amazonas sentimos mais firmeza. É o Estado com menor índice de desmatamento; que quer trabalhar para a preservação da floresta em pé e pela sustentabilidade; e que tem um Instituto Socioambiental seriíssimo", diz. No leilão, que será comandado pelo martelo do leiloeiro James Lisboa, 70% do valor de cada obra (os lances mínimos foram estipulados pelos próprios artistas) serão destinados ao projeto e 30% vai para o criador. "Mas há os que cederam integralmente sua obra", diz Ribenboim.   Oportunidade   Entre os 150 artistas participantes, dois deles exibem agora o que seria a reedição de trabalhos anteriores, de longa data: o pernambucano Paulo Bruscky e a gaúcha Regina Silveira.   Quando convidado a participar, Bruscky resolveu fazer nova edição de uma de suas gravuras em metal intitulada Amazonas, de 1973. Nela, de maneira simples e direta, está impressa a pegada de um solado típico da região da floresta. Esse seu trabalho é realista e, ao mesmo tempo, sombrio.   Já Regina Silveira escolheu fazer criação a partir de seu projeto Rodovia Transamazônica, de 1977. A obra de agora ficou Brasil Today, Rodovia Transamazônica (1977/2007), impressão digital sobre imagem, e está abrigada no primeiro núcleo, dedicado ao assassinato da floresta.   É curioso também destacar um trabalho que não foi reeditado, mas criado para a ocasião: Chico Mendes, instalação com alto-falantes feita por Hermuth Gripp, coloca ecos para remeter metaforicamente à figura do líder seringueiro que foi assassinado há 20 anos.     Arte Pela Amazônia. Pavilhão da Bienal. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, piso 3, 3088-4530, Parque do Ibirapuera, entrada pelo portão 3. De 3.ª a dom., das 10h às 20h. Grátis. Até 30/3

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