Amazônia ganha filial no Sesc

Um dos lugares menos povoados do planeta chega a uma das maiores aglomerações humanas do mundo. A partir de hoje, o Sesc Pompéia, em São Paulo, abriga um pequeno pedaço da imensidão territorial da região amazônica. Amazônia Br. não esconde sua ambição. O projeto multicultural foi planejado para ser o mais abrangente já realizado sobre o tema e inclui a presença de seis grupos indígenas, 70 palestrantes, 14 oficinas e 20 apresentações musicais.Toda a área de livre circulação do Sesc terá maquetes, exposições e palcos para dramatizações decorados com plantas nativas da floresta, além da ambientação com cheiro e sons da floresta.O objetivo é mostrar a diversidade e os problemas da Amazônia e renovar a discussão sobre a questão ambiental. "Queremos revelar a Amazônia real, divulgar e fortalecer as experiências. Contamos com a união das pessoas que atuam na região como um imenso apoio dos artistas de São Paulo", explica Eugênio Scannavino, fundador e coordenador da ONG Saúde e Alegria.Médico infectologista, Scannavino trabalha há mais de 15 anos juntos às comunidades ribeirinhas da bacia amazônica. A idéia de montar o projeto Amazônia Br. surgiu há quatro anos durante a mostra Expo Amazônia, da qual a Saúde e Alegria participou. De lá para cá, Scannavino, médico infectologista há 15 anos à frente da ONG, foi contando com apoio de outros grupos de atuação na região além de profissionais do Rio e São Paulo.A direção artística do projeto, por exemplo, é do cenógrafo Gringo Cardia, que já assinou projetos de Denise Stoklos e foi o responsável pelo visual da banda Blitz no início dos anos 80.A solução encontrada por Cardia para dar conta da rica variedade cultural e paisagística da Amazônia foi criar casas típicas de ribeirinhos e choupanas, uma delas com paredes feitas de barro. "Procurei não imitar a natureza, mas recriar alguns ambientes como as maquetes feitas com matéria-prima para as cidades ou os povoados com auxílio de artesãos", diz Cardia.Mais de 30 pessoas vieram da Amazônia especialmente para o projeto. Entre elas vários índios, representantes de seis etnias. Além de explicar e apresentar seu modo de vida, cinco índios viverão numa espécie de reality show: permancerão em uma das instalações reproduzindo hábitos e costumes durante toda a exposição.No módulo Floresta de Gravetos, foi reproduzido um pedaço da densa floresta, com um intrincado labirinto formado por um emaranhado de galhos e fracamente iluminado por uma luz verde, além de sons e essências típicas da Amazônia.O desmatamento, as rotas de tráfico e a violência integram o Arco do Desmatamento, espaço em forma de caixa preta onde notícias de jornal, reproduzidas em grandes dimensões, cobrem as paredes.O látex e outras matérias-primas da região foram aproveitadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch para confeccionar peças de roupas que estarão expostas. O estilista também participará de uma palestra sobre a importância dos produtos amazônicas como matéria-prima para a moda. As palestras ocorrerão às sextas-feiras reunindo estudiosos, representantes de comunidades amazônicas e historiadores.Na próxima sexta, um encontro reunirá os índios David Waiãpi, David Yanomani, Raoni e Marcor Terena, o indigenista Orlando Villas-Boas, Domingos Tucano, coordenador das Nações Indígenas da Amazônia Brasileira, Escrawn Xerente, do Conselho Indígena de Roraima, e Nino Ticuna, da Federação dos Índios Ticunas.As manifestações culturais amazônicas ganharão corpo com apresentações musicais, encenações teatrais, leituras e mostra de vídeo. Um espaço inteiro abrigará algumas das mais de 400 ONGs que atuam no Norte do País. Nem a mais famosa festa do folclore amazônico deixou de ter espaço no projeto. Duas grandes maquetes em formas de boi representam o festival de Parintins, que, para muitos, é o carnaval mais autêntico do País.A expectativa da direção do Sesc Pompéia é repetir o sucesso da exposição Cochicho na Mata, muito menor, e que atraiu um público de quase mil pessoas por dia. "Os paulistas sentem muita necessidade de entrar em contato com a natureza", diz Paula Kasparian, assessora de imprensa do Sesc Pompéia.Amazônia Br., de hoje a 18 de agosto, no Sesc Pompéia, r. Clélia, 93, tel.: 3871-7700, de terça a sábado, das 9h às 20h30, entrada gratuita.

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