Amaury Jr. acusa Record de censura

O apresentador Amaury Jr. falou ontem pela primeira vez sobre sua saída oficial da Rede Record, na última quinta-feira, depois que a emissora tirou seu programa do ar sem avisá-lo. Bem-humorado, Amaury contou que sua saída aconteceria mais cedo ou mais tarde e que o "processo de fritura", como ele chamou, começou há meses, com a mudança de direção da emissora do bispo Edir Macedo."Fui para a Record a convite de Honorilton Gonçalves, Roberto Franco, Marcos Vinícios Chisto e Del Rangel. Foi pelo projeto deles que deixei a Bandeirantes, onde fiquei 16 anos. Eles defendiam uma tevê eclética, na qual a Igreja era apenas uma acionista", disse. "Mas há três meses, a diretoria mudou e os problemas começaram a aparecer. Para mim, é claro que a nova diretoria veio com a proposta de evangelizar a emissora. Não tenho nada contra a religião, a questão é que, com isso, eu comecei a sofrer vetos."Censura - Entre as censuras que diz ter sofrido, Amaury citou a proibição de falar no programa de entidades benemerentes e outras religiões. O apresentador contou ainda que teve de recusar um convite para ir à Polônia entrevistar o presidente Fernando Henrique Cardoso, na época em que ele estava lá, porque a emissora ainda não tinha definido sua posição política."Fiz uma entrevista com Lobão que nunca pôde ir ao ar. Uma matéria com a Deborah Secco que foi recriminada porque acharam um escândalo que só tinha apelo sexual. Foram várias coisas, e isso vai acumulando até que um belo dia não dá mais. A gota d´água foi tirarem meu programa do ar de uma hora para outra. Isso, além de desrespeito comigo e com a minha equipe, contraria o meu contrato."No contrato de Amaury com a Record, segundo ele, havia uma cláusula que previa que se alguma das partes estivesse insatisfeita bastava apresentar uma notificação e em 30 dias os vínculos seriam rompidos. "Eles preferiram aquela maneira truculenta que eu não poderia aceitar."Na semana em que tudo veio a público, a Record argumentou que o programa só havia sido tirado do ar para que Amaury e sua equipe concentrassem os esforços no programa semanal, Empório Amaury, que deveria estrear no próximo mês. "Para mim deram várias justificativas, entre elas que eu dava prejuízo, o que não é verdade (o programa tinha um faturamento de R$ 500 mil por mês). Não sei exatamente o motivo, pode ser que cansaram da minha cara, mas o que fica parecendo é que era algo religioso mesmo."Para Amaury, o objetivo da emissora já está provado: queriam aumentar o tempo do programa Fala Que Eu Te Escuto, que já está ocupando o horário que era de Amaury. O apresentador afirmou que sua saída da emissora é definitiva e que não foi algo feito de forma impulsiva. "É claro que fiquei magoado pela forma como as coisas aconteceram, mas estou tranqüilo."Quanto ao programa de sábado, Amaury disse que, na Record, não fará. "Eu não podia aceitar isso depois de tanto desrespeito. Não tinha mais clima para mim lá. Além do mais, esse era um projeto antigo que já estavam segurando havia muito tempo."Negociações - Sobre aos rumores de que estaria negociando com a Rede TV!, Amaury confirmou. "Simpatizo com a Rede TV! e estou em negociações, sim, com a emissora. Aliás, não só com a Rede TV!" Ele adianta que seus planos são de um programa diário, no estilo do Programa Amaury Jr. "Quero manter o formato com matérias externas e em estúdio. Mas ainda não há nada definido. Se tivesse eu diria. Só posso dizer uma coisa: eu volto! Não vão me calar", brincou.

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