Amadou & Mariam no palco do Sesc Pompeia

A preocupante situação do Mali parece não ecoar nas melodias lúcidas de uma kora, ou no blues árido de Amadou & Mariam. De fato, a transparência hipnótica dos poetas-músicos de Bamako vibra em outro universo, distante da ignorância de mutilações e mortes perpetradas pela insurgência islâmica radical que, com o apoio da Al-Qaeda, se apossou do Norte do país, nos últimos meses. Vide a canção de protesto Mali-Ko, lançada pela cantora Fatoumata Diawara, em janeiro desse ano. No clipe, 40 músicos do Oeste africano, entre eles feras como Bassekou Kouyate e Vieux Farka Toure, pregam paz, criticam os radicais e pedem tranquilidade à população.

AE, Agência Estado

14 de março de 2013 | 09h37

A pergunta que fica é se luminosidade da faixa seria o suficiente para surtir algum efeito. "Sem dúvida", diz Amadou, do popular duo de músicos Amadou & Mariam. "Canções como essa fazem as pessoas darem as mãos, pensarem na paz. Mas não é só isso. Conseguimos colocar o Mali em evidência para o resto do mundo. A mensagem teve uma recepção muito forte na França", completa. Amadou vem a São Paulo com sua mulher, Mariam, pela primeira vez para um show no Sesc Pompeia, na próxima quinta-feira (21), que fará parte da programação da Festa Internacional Francofonia, evento que celebra a língua francesa através de música, cinema e teatro.

A confiança do músico na melhora do país surpreende qualquer estrangeiro que acompanhe as notícias-conflitos militares, aplicação de leis bizantinas que favorecem apedrejamentos e mutilações. "O Mali já passou por isso umas três ou quatro vezes. Desta vez a situação está mais complicada, por causa da Al-Qaeda, mas sempre encontramos uma solução", diz, com tranquilidade. "A França agiu rápido, ao contrário da coalizão de países do Oeste africano, que muito conversa e pouco faz", continua.

Mesmo assim, Amadou diz que a cultura do Mali sofre muito com o radicalismo islâmico. "Músicos do Norte tiveram que fugir para Bamako, no Sul, por causa da forma com que eles estão aplicando a Shari?ah (lei islâmica). Eles não podem mais tocar. Alguns deixaram o país", completa.

A diplomacia de Amadou é condizente com o status de seu grupo. Nos últimos dez anos, o talentoso casal de cegos do Mali chegou ao estrelato internacional, colocando em evidência o blues malinês, uma espécie de ancestral do gênero que surgiu no delta do Mississipi, no final do século 19. Em evidência, os dois já colaboraram com Manu Chao, David Gilmour e Damon Albarn. Destilam um híbrido de pop, funk e música cubana que dialoga com a tradição do Mali, mistura de essência "world" que é ampliada pelo casal em cada disco.

Em Folila, lançado no ano passado, as colaborações vão do pop star francês Bertrand Cantat aos soulmen do indie, Tunde Adebimpe e Kyp Malone, integrantes do TV On The Radio.

AMADOU & MARIAM - Sesc Pompeia. Rua Clelia, 93, 3871-7700. Dias 21 e 22, 21h30. R$ 40. Programação: www.aliancafrancesa.com.br/francofonia2013/.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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