Álvaro Caldas lança reunião de contos

O escritor e jornalista Álvaro Caldas lança hoje, às 19 horas, no restaurante La Fiorentina (Avenida Atlântica, 458-A, Leme), no Rio de Janeiro, o livro de contos Cabeça de Peixe (Garamond, 160 págs.). É o primeiro livro de Caldas no gênero. Antes, escreveu o livro de memórias Tirando o Capuz (Codecri, 1981) e o romance Balé da Utopia (Objetiva, 1993).Um dos sete contos do livro, Nenhum Era, foi finalista do Concurso de Contos Guimarães Rosa, promovido pela Radio France Internationale, em 1997. "Os sete contos mantêm uma autonomia, são muito distintos uns dos outros", afirma o autor, atualmente também professor da Faculdade de Comunicação Social da PUC-RJ. "Há um entrelaçamento entre passado e presente, algo um pouco onírico, surrealista."Se algo as une, é o cenário: todos eles se passam no Rio de Janeiro. Cabeça de Peixe, que dá nome à reunião de textos, por exemplo, narra a história de um cangaceiro do grupo de Lampião que vai parar na cidade - até o momento em que ele se envolve num grave problema com o dono de um bar.Caldas, que foi militante do PCBR, uma organização comunista que optou pela guerrilha, mas não chegou a organizá-la durante o regime militar - e da qual faziam parte o coronel de artilharia Apolônio de Carvalho e o historiador Jacob Gorender -, conta que talvez sua primeira ficção publicada tenha sido o primeiro capítulo de seu livro de memórias, Tirando o Capuz, obra que teve quatro edições.Nesse capítulo, narra seu seqüestro por agentes do regime militar e sua viagem de avião na terceira pessoa - "A realidade era tão brutal que só consegui narrá-la ficcionalmente", diz. Caldas foi seqüestrado depois de sua passagem pela prisão, entre 1970 e 1972, quando ele, depois de ter sido repórter especial do Jornal do Brasil, começava a voltar para as redações.O passado político do jornalista - que trabalhou em vários órgãos de imprensa, entre eles o Estado - ajuda a compor um dos textos, Erina na Irlanda, em que um jovem retorna de Londres, onde fora estudar, e encontra o pai, um ex-militante comunista, muito diferente. O tom onírico é expresso, no entanto, em O Escorpião e a Cortesã, em que dois personagens se encontram, literalmente, num sonho.Os contos de Caldas são ilustrados por quatro grandes nomes do desenho brasileiro: Loredano, Trimano, Grilo e Brandão. Alguns contos, inclusive, nasceram a partir dos desenhos. O romance Balé da Utopia, teve os direitos de filmagem comprados pelo produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto.

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