Valerio Mezzanotti/The new York Times
Valerio Mezzanotti/The new York Times

Altas, magras, jovens? não exatamente

Karl Lagerfeld se junta a estilistas em busca de modelos que fogem ao padrão da indústria

Jess Cartner-Morley THE GUARDIAN / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 00h00

Karl Lagerfeld acrescentou peso à tendência que elege modelos não convencionais ao escolher Inès de la Fressange, de 53 anos, para desfilar na passarela. E aquelas jovens altas, magras, de uma beleza convencional? Tempos difíceis para elas. A semana da moda de Paris acaba de declará-las ultrapassadas.

Inès, que foi modelo da casa Chanel nos anos 80, voltou à passarela para a Chanel 21 anos depois de brigar com o estilista da casa, Karl Lagerfeld. Não que ele tenha se arrependido de sua preferência pelas modelos altas, magras e jovens - no ano passado, por exemplo, tachou o debate sobre "tamanho zero" uma preocupação de "mamães gordas sentadas com seus saquinhos de batatas fritas na frente da televisão".

Mas a decisão do estilista acrescentou uma visão de beleza diferente à semana da moda de Paris. Lucy Yeomans, editora da revista Harpers Bazaar, aplaudiu a ideia, afirmando: "Quando a moda é realmente excelente, parece ainda melhor em manequins mais velhas, porque elas têm mais presença. Os vestidos adquirem personalidade, e este é um dos principais aspectos da função da moda". Também Jean-Paul Gaultier abriu e encerrou seu desfile com Beth Ditto, a voluptuosa cantora de Gossip. Na última volta na passarela, cantando uma versão a cappella da canção River Deep, Mountain High, de Ike e Tina Turner, e vestindo um espartilho enfeitado de tule, levou o público ao delírio.

O êxito da estilista britânica Phoebe Philo, que voltou à primeira linha da moda em 2009, depois de uma interrupção de quase três anos para ficar com os filhos, consagrou-a como uma espécie de heroína para muitas de suas fãs. À frente da Cleine, uma marca que andava esquecida, Phoebe trouxe de volta uma concepção calma e prática da moda e obteve um sucesso fenomenal. Em sua primeira temporada, o número de fornecedores americanos da marca aumentou de um para quase 40. O desfile no Tennis Club de Paris foi um dos eventos mais badalados da semana, com um público ansioso por ver se Phoebe manteria sua estética minimalista, abandonada, nesta temporada, por muitos estilistas em favor de referências dos anos 70 e 80, e cores audaciosas. Sua resposta foi partir para um look mais solto, fluido, colorido, no qual o equilíbrio parte das formas de Helmut Lang, dos anos 90, que ela enfatizou no ano passado, voltando-se para a elegância das silhuetas chiques de Yves Saint-Laurent, influenciadas pela moda da África do Norte.

Seu desfile foi dominado pelos brancos, cremes e areia, com peças de simplicidade quase monástica - muitos decotes canoa, túnicas, e um macacão azul marinho de mangas compridas sem costuras ou fechos visíveis, por exemplo -, mas amplas calças de pijama de seda estavam decoradas com tiras de smoking na cor cobalto e esmeralda, e uma camiseta de couro cor de vinho foi usada com calças azul elétrico. A julgar pelos aplausos, o radar de Phoebe para o que as mulheres querem vestir na próxima estação mais uma vez acertou em cheio. TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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