Altar cedido ao Guggenheim começa a ser desmontado

Começou ontem a desmontagem do altar-mor do Mosteiro de São Bento de Olinda, que está exposto no Museu Guggenheim de Nova York desde outubro do ano passado. O altar faz parte da exposição Brazil: Body & Soul, que reúne 400 obras representativas de todos os períodos da arte brasileira desde o barroco. A exposição termina no dia 29 deste mês, mas a desmontagem do altar, que será feita por partes, prossegue até o meio de junho. As primeiras caixas devem chegar a Recife no próximo dia 25, segundo a BrasilConnects, empresa produtora da exposição.Feito no século 18, o altar saiu do mosteiro em Olinda pela primeira vez para ser a peça central da exposição no Guggenheim. A mostra abriu no dia 18 de outubro de 2001, quando Nova York ainda se recuperava do trauma deixado pelos ataques terroristas de 11 de setembro. Na época, a repercussão dos atentados motivou uma ação do Ministério Público Federal que quase impediu a ida do altar para os Estados Unidos.O MP alegava insegurança para o patrimônio e chegou a obter uma liminar contra a ida do altar. Foi preciso que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro das Relações Exteriores Celso Lafer intercedessem para que a Justiça liberasse a viagem do altar. O altar acabou indo para os estados Unidos dividido em 54 partes.Além disso, o Museu Guggenheim assumiu "irrevogável e incondicionalmente" a responsabilidade pela manutenção e guarda de todas as 400 obras que compõem a exposição. O museu fez um seguro de US$ 200 milhões para as obras e dois seguros adicionais de US$ 20 milhões para o altar.O atraso na liberação do altar acabou fazendo com que a mostra Brazil: Body & Soul abrisse as portas sem que a peça principal estivesse completamente montada. Em princípio, a exposição deveria ir até o dia 27 de janeiro, mas o sucesso de público (mais de meio milhão de pessoas, segundo a BrasilConnects), prorrogou o encerramento para final de maio. O plano de levar o altar-mor para o Guggenheim de Bilbao, na Espanha, quando a exposição em NY acabasse, foi cancelado.Antes de participar da exposição nos Estados Unidos, o altar barroco de Olinda passou por uma reforma que envolveu 30 restauradores, durou sete meses e consumiu R$ 600 mil. O altar tem 13,8 metros de altura, 7,8 de largura e 5,7 de profundidade. Feito de cedro e banhado a ouro, pesa 11 toneladas. A construção do altar durou três anos, de 1783 a 1786.

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