Alta nos preços leva italianos a realizar 'greve de massa'

Muitos italianos deixaram de comprarmassas nesta quinta-feira como forma de protesto contra umaumento de preços que está por vir. Grupos de defesa do consumidor afirmaram que o boicoteobteve resultados excelentes. Os italianos estão indignados porque a elevação do preço dotrigo significa que um prato de macarrão deverá custar, nospróximos meses, mais caro, mesmo que apenas alguns centavos.Como muitas famílias do país comem massa todos os dias, aalteração nos preços deve pesar no bolso. "Massa, pão e leite -- essas são as coisas maisimportantes. Não estamos protestando em nome dos perfumes oudas jóias, mas em nome da massa e do pão", afirmou Marisa, queparticipava de uma manifestação em Roma. O ministro da Justiça italiano, Clemente Mastella, prometeudar apoio à mobilização, deixando de ingerir seu prato de massafavorito. Mas nada indica que todos os seus compatriotas realizarãoum sacrifício semelhante na hora do almoço -- trabalhadoresfamintos ingeriam seus tradicionais pratos de massa nosrestaurantes de Roma, ignorando o boicote. "A greve é algo simbólico, um apelo aos italianos para quefaçam um sacrifício, para que sacrifiquemos algo de que nãopodemos abrir mão, nem mesmo quando viajamos para fora dopaís", disse Carlo Pileri, membro do grupo de defesa doconsumidor Adoc. Resumindo a paixão dos italianos pelas massas, o navegadoritaliano do século 14 Baciccino Parodi escreveu em seu diáriode bordo: "Consigo me sair bem sem uma bússola, mas nãogostaria de partir sem uma carga de lasanha." Pileri afirmou que o aumento nos preços poderia impedir asfamílias de "economizar dinheiro para comprar outros produtos,como sapatos, roupas ou carros", três das outras paixões dositalianos. Os grupos de defesa do consumidor afirmaram que umapesquisa com clientes que saíam de supermercados de seiscidades mostrou que metade deles havia deixado de comprar algumtipo de massa -- um resultado considerado excelente. A elevação dos preços do pão, das massas e dos laticíniosacabará provocando uma inflação anual estimada em 7 por centonos alimentos, afirmam os grupos de defesa do consumidor, o quepoderia detonar novos aumentos de preço.

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