Almanaque revê cem anos de Piracicaba

Piracicaba, cidade do interior de São Paulo, famosa por seu jeito assumidamente caipira e pelo sotaque carregado, ganha neste ano o Almanaque Piracicaba 2000: Memorial do Século XX, do jornalista e escritor piracicabano Cecílio Elias Neto. O livro foi feito em parceria com a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), o Instituto Histórico Geográfico de Piracicaba e o Jornal de Piracicaba, e o lançamento será hoje às 20h, no Centro Cultural de convivência da Unimep.De acordo com Elias Neto, a intenção é resgatar a tradição centenária piracicabana de escrever almanaques. O primeiro foi feito por Manuel de Camargo em 1900 e é um dos mais antigos do Brasil. "Para comemorar estes cem anos e recuperar dados históricos da cidade, eu me propus a escrever o almanaque do século 20", conta.O trabalho de pesquisa e coleta de dados começou há quatro anos. O jornalista buscou tudo o que foi registrado sobre a cidade e acabou descobrindo, com apoio de uma equipe, teses e documentos em bibliotecas sobre Piracicaba. Elias Neto encontrou também diários particulares que permitiram recuperar a evolução dos costumes locais. O livro traz ainda 600 fotos sobre diversos momentos da história da cidade, estampando na capa uma imagem típica da cidade: um caipira picando fumo, em retrato de Almeida Jr.O almanaque foi organizado conforme períodos históricos, partindo da belle époque de Piracicaba, entre 1900 e 1914. Durante esta fase, a cidade viveu transformações pioneiras, sediando a primeira metalúrgica do País, saindo na frente em questão de transporte coletivo e tornando-se a segunda cidade brasileira a ter rede elétrica e linha telefônica.Elias Neto aproveita para simular a narração de figuras ilustres da cidade, como Manuel de Camargo, o autor do primeiro almanaque, a Baronesa Lídia de Resende, que investiu na área de educação na cidade, e o folclorista João Chiarini.A partir de 1955, o próprio autor assume a narração e se coloca como testemunha da história. Elias Neto nasceu em 1940 e teve a oportunidade de assistir de perto a muito da história da cidade, desde que se tornou jornalista, há 45 anos. Foi proprietário de alguns jornais da cidade, como o Jornal de Piracicaba, a Folha de Piracicaba e A Província, e hoje escreve para o Correio Popular de Campinas e A Tribuna de Piracicaba.Apesar de todas as transformações vividas, Piracicaba manteve o seu "estilo caipira de ser", que é motivo de orgulho para o autor. "Cultivar as raízes e a memória é a melhor forma de sobreviver à globalização", teoriza. Ele considera a forma de falar dos habitantes como um dialeto próprio - tema que tratou em seu livro Dicionário do Dialeto Caipiracicabano. E exemplifica: "Se você vai até o bairro Santana, corre o risco de não entender o que os moradores falam. Você entende se eu disser ´Qui´ór´qui´são?´ para saber as horas?"Almanaque Piracicaba 2000: Memorial do Século XX - Lançamento hoje, às 20 horas, na Unimep - Rodovia do Açúcar, km 156, Taquaral, Piracicaba

Agencia Estado,

14 de dezembro de 2000 | 15h52

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