"Almanaque" relembra a história da TV

Você sabia que o nome "televisão" surgiu em 1900? A palavra é uma mistura de grego e latim, que significa "ver longe". Curiosidades como esta podem ser encontradas no livro Almanaque da TV - 50 Anos de Memória e Informação, que está sendo lançado pela Editora Objetiva, em comemoração os 50 anos do nascimento da televisão no Brasil.O livro é resultado de quatro anos de trabalho do roteirista e publicitário Ricardo Xavier, o Rixa, com colaboração do jornalista Rogério Sacchi. O autor é formado em Publicidade pela Universidade Federal Fluminense. Desde 84, assina o roteiro do Video Show, na Rede Globo, e já participou do extinto humorístico TV Pirata, foi colaborador de programas da TVE do Rio e escreveu os roteiros de várias edições do Prêmio Profissionais do Ano, destinado aos melhores da propaganda de TV.A experiência de Rixa na televisão e sua paixão pelo veículo permitiu que ele sintetizasse de forma eficaz sua história e desse destaque ao que realmente merecia. O livro conta desde a invenção, os avanços tecnológicos que o veículo passou e os comportamentos que ela ditou.Para quem não viveu naquela época, a obra é uma forma de conhecê-la, proporcionado uma viagem pela história, relembrando os melhores momentos. O livro traz os principais programas separados por categorias, além dos avanços tecnológicos, como o surgimento do vídeo-tape, a TV em cores, a UMJ (Unidade Móvel de Jornalismo) que permite entradas ao vivo de qualquer lugar, o Tira Teima, entre outros recursos.Também há capítulos dedicados aos pioneiros, concursos de beleza telemoças, falhas, festivais de música, sexo, tabus, censura, esportes, escândalos, tragédias, jornalismo, mundo cão, igreja eletrônica, entre muitos outros temas.De quebra, o Almanaque reúne frases de várias personalidades sobre o que a televisão significa. Muitas delas são verdadeiras "pérolas", como a de Muniz Sodré, em 1975: "Na telenovela, tudo acontece, sem fazer acontecer realmente nada, porque a televisão é um tipo de fantasma do mundo, imenso discurso organizado sobre o vazio". Já o animador Raul Gil dá sua opinião sobre o índice de audiência: "O Ibope é nosso patrão: aumenta o nosso salário, consolida contratos, valoriza ou deprecia o passe do artista", diz ele.Outro aspecto interessante do livro é que o autor não economizou nas críticas de intelectuais e celebridades feitas ao veículo. Entre elas, a do poeta Mário Quintana, que disse, em 1970 : "A televisão acabou com a comunicação familiar. Em vez de se falarem, as pessoas nem se olham. Olham todas para o mesmo lado: a tela".O prefácio, escrito por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, um dos nomes mais respeitados no meio, é um grande convite para mergulhar na leitura do Almanaque da TV. "Confesso que fiquei impressionado com um retrato tão bem-feito. O humor, temperado com a emoção, faz com que a leitura seja leve e agradável."

Agencia Estado,

17 de setembro de 2000 | 19h33

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