Silvana Garzaro/Estadão
Silvana Garzaro/Estadão

Aline Torres é a nova secretária de Cultura de São Paulo

A relações públicas de 34 anos assume o posto deixado por Alê Youssef, que pediu demissão na quarta-feira, 25

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2021 | 12h17
Atualizado 27 de agosto de 2021 | 11h22

Após receber o pedido de demissão do secretário Municipal da Cultura de São Paulo, Alê Youssef, na noite desta quarta-feira, 25, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) já escolheu uma substituta para a vaga: a relações-públicas Aline Torres, que hoje é adjunta da Secretaria de Inovação e Tecnologia.

Militante da área cultural, Aline Torres, 34 anos, é pós-graduada em Gestão de Projetos Culturais pela USP.  Ela atua nos movimentos negro e feminista, assim como tem presença marcante na comunidade de Pirituba, na zona noroeste da capital. A nova secretária foi candidata a deputada federal pelo PSDB em 2018, quando recebeu 14 mil votos, e a vereadora pelo MDB no ano passado, apresentando a periferia como base.

Aline tem uma história familiar marcada pela luta. O avô foi escravizado em uma fazenda, no Recôncavo Baiano. Anos depois, a mãe decidiu se mudar para uma comunidade em Pirituba.

Apesar das dificuldades, Aline conseguiu fazer um cursinho gratuito graças a um projeto social até conseguir entrar em uma faculdade de Relações Públicas - lá, era uma  das três  negras em um universo de mais de 60 alunos. 

Em 2019, foi selecionada entre 4 mil pessoas para ser aluna da Renova BR, e se tornou embaixadora do Brasil no Conselho Pan-Africano (Pan-American Council).

A ex-prefeita Marta Suplicy, atual secretária de Relações Internacionais da Prefeitura, foi cogitada para a vaga, mas Nunes optou por mantê-la na pasta para comandar eventos importantes este ano. 

Foi a segunda vez que Alê Youssef deixou a pasta da Cultura. A primeira foi em fevereiro de 2020, quando foi cotado para concorrer na chapa de Bruno Covas à reeleição. Em seu lugar, entrou Hugo Possolo. Sem conseguir direito à chapa, Alê foi reconduzido ao cargo por Covas em dezembro passado.

O ex-secretário publicou um vídeo de despedida do cargo na manhã desta quinta-feira, 26. “Após um período de luto e de estruturação de programas essenciais, entendemos que era hora de sair”, disse ele, que retorna agora ao Baixo Augusta, para o carnaval de rua, mas, como disse, sem abandonar o “bloco da cultura”. 

Youssef pediu demissão na noite desta quarta, 25, alegando “óbvias incompatibilidades” com a atual gestão. A jornalista Joselia Aguiar, seguindo a decisão de Youssef, pediu demissão da direção da Biblioteca Mário de Andrade. Maria Emilia Nascimento, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, também anunciou sua saída nas redes sociais. E Possolo, que ocupava o cargo de diretor-geral da Fundação Theatro Municipal, também confirmou ao Estadão que deixa o cargo. 

Em nota, a Prefeitura de São Paulo "reafirmou o compromisso com a manutenção das políticas de fomento cultural da cidade. O prefeito sancionou, no último dia 10, a Lei nº 17.595, que determina que o valor orçado para a Secretaria Municipal de Cultura no Projeto de Lei Orçamentária para 2022 não será menor do que o de 2021".

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