Alien surgiu do ventre do homem

ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO, (ALIEN): EUA, 1979. Dir. de Ridley Scott. No Telecine Cult, às 22 h. Reprise, colorido, 116 min.

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h10

É um dos momentos mais assustadores do cinema. A tripulação do Nostromo acompanha, pelo monitor, o deslocamento de um de seus integrantes pelo labirinto e a aproximação do estranho ser que está provocando a maior destruição a bordo. Quando ambos os pontos luminosos se encontram, o diretor Ridley Scott corta para mostrar o homem acuado. Por um breve instante, nem dá para ver direito o que é, ou como é, o alienígena bate na tela e o homem desaparece.

Alien, o Oitavo Passageiro fez sensação em 1979 - há 32 anos. Ridley Scott, formado na escola da publicidade, já fora premiado em Cannes (por Os Duelistas) quando fez o filme sobre a missão do Nostromo. Sob o comando da oficial Ripley, a nave vai a um planeta distante em busca de que, exatamente? Só no final o objetivo se esclarece e ele sempre foi a preservação do alienígena para fins bélicos. Nada a ver com a indagação metafísica de Stanley Kubrick em 2001. Scott celebrou o casamento da ficção científica com o horror.

Talvez exista, sim, um pensamento filosófico, pois o alien, no alvorecer do feminismo - os anos 1970 -, nasce da barriga do homem e vem para destruir. Tudo impressiona. O visual sombrio, o tratamento dado aos personagens, a presença de Sigourney Weaver (em seu primeiro grande papel). Mas o mais impressionante de tudo é o monstro do espaço, desenhado por H.R. Giger. Ele é uma mistura de vida orgânica e máquina. Alien, o Oitavo Passageiro marcou época. Vieram depois o 2, 3, 4. A série consolidou-se como uma das mais bem-sucedidas do cinema. Vale voltar ao começo de tudo. O oitavo passageiro, o 'penetra' a bordo da Nostromo - a nave retira seu nome de Joseph Conrad -, assusta tanto quanto fascina.

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