Alice Cooper mostra sua persona demolidora em SP

Cantor que inventou o rock teatral se apresenta nesta terça-feira no Credicard Hall

Agencia Estado

14 Junho 2007 | 17h55

Esta é uma história de sexo, rock’n’roll e... golfe. No rock, nosso herói é a bizarra figura conhecida como Alice Cooper, um possesso que inventou o rock teatral, freqüentou as camas de groupies famosas, como Pamela des Barres, e influenciou meio mundo no gênero, gente como Marilyn Manson e Rob Zombie. Ele toca nesta terça-feira, 12, no Credicard Hall, em São Paulo, acompanhado de Kery Kelli (guitarra), Jason Hook (guitarra), Eric Singer (bateria) e Chuck Garric (baixo). Ainda havia ingressos à disposição ontem. Quando tinha 20 anos, Alice Cooper declarou: "No meu estilo de vida, três coisas são inúteis: casamento, funerais e roupas de baixo." Hoje, aos 59 anos, o pacato cidadão Vincent Damon Furnier, nascido em Detroit, continua pensando o mesmo sobre funerais - decididamente, não gosta deles. Mudou a opinião sobre os outros dois quesitos: atualmente, vive um sólido casamento e é um sujeito que acorda às 7 horas da matina e passa a maior parte do tempo com sapatos bicolores percorrendo gramados em busca de 36 buracos no chão. O que une esses dois personagens, que na verdade são o mesmo? Bom, para começar, Alice Cooper, ou Vincent Furnier, tem como parceiros de golfe gente como Lou Reed, Iggy Pop, Neil Young, Michael Douglas e Bob Dylan. Mas ele também brinca com outros mais preparados, como Tiger Woods e John Daly, gênios do esporte. "Muitos caras como eu se afundaram em álcool e drogas, por conta do estilo de vida vertiginoso. Foi o meu caso. Os que acharam algo melhor para fazer largaram isso. Eu usei todo o tempo que tinha livre para fazer algo saudável. O golfe é minha droga atual. É o que me desafia, me toma o tempo, e não me destrói como aquilo tudo costumava fazer", disse Cooper, em entrevista ao Estado, por telefone. "Na América, ao contrário do que se pensa, golfe não é para gente muito rica. Todo mundo joga. Golfe é algo que você pode fazer apenas com bastante concentração e disciplina", diz Alice, que hoje é um competidor sério (integra o Pro Am), e não mais uma celebridade amadora. Ele acaba de lançar um livro referencial sobre o esporte que adotou, Alice Cooper, Golf Monster: A Rock’n’ Roller’s 12 Steps to Becoming a Golf Addict (Crown, 272 págs., US$ 24). ´Psycodrama´ Mas é claro que Alice Cooper não se abalou de tão longe para vir aqui falar de golfe. Está aqui no seu coté original, o de roqueiro ensandecido que usa cobras, motosserras elétricas, guilhotinas e sangue falso no palco para causar impacto. Além da maquiagem que mascara Cooper, que ele diz que inventou para esconder o fato de que sempre foi muito feio. "O que eu imaginei, quando inventei isso que chamam de ‘psycodrama’, não tem nada a ver com o teatro. Não conheço a teoria teatral. O que pretendi foi representar no palco uma espécie de sintoma de minha época, trazer alguma poesia à vida", diz Cooper. "Quando subo no palco, eu penso apenas que a platéia merece o melhor. Eles pagam para ver um show inteiro e divertido. Capricho no visual para que as pessoas na platéia vejam, olhem uns para os outros e digam: ‘Você viu aquilo?’" Ele sabe que seu vaudeville (como chamou, pejorativamente, outro maluco performático, Ozzy Osbourne), hoje em dia, encontra concorrentes fortes no rock. Mas Alice não está nem aí para a concorrência, ele gosta dela. "Rob Zombi é bom. E o melhor: ele gosta do que ele faz. Adoro Marilyn Manson também, é fantástico. São todos meus amigos." É, mas alguns anos atrás você, Alice, dizia que o tal do Manson era apenas um "marqueteiro" dos bons. "Mas é verdade, ele é muito bom em marketing. Todos nós somos, todos fazemos dinheiro com nosso conceito visual. O artista tem um lado comercial. Se alguém disser que não é, está sendo mentiroso. O Sepultura faz, todo mundo faz. Mas nem todos fazem isso de maneira desonesta. O Manson é honesto, ele deixa claro o que faz e realiza bem, porque é o que querem que ele faça." ´Panic! É o melhor´ Mas, de todos eles, quem seria hoje o grupo ou artista que Alice Cooper consideraria legítimos herdeiros de seu conceito? "Acho que o meu preferido é o Panic! At the Disco. Eu os vi muitas vezes na TV e, de repente, me dei conta de que gostava muito daquilo. Eles têm a coisa teatral, mas também uma elaboração intelectual muito interessante nas letras das canções. Também é interessante o My Chemical Romance, mas o Panic! é o melhor da atualidade." Alice Cooper entrou para o Guinness Book of Records, nos anos 1970, por ter reunido o maior público de rock para um concerto no mundo - curiosamente, o fato se deu em São Paulo, em 1974, no primeiro dos grandes concertos de arena no País. Ele diz que foram 158 mil pessoas. "Foi uma das coisas mais maravilhosas de minha carreira. Não esperávamos tanta gente. Teve até um pessoal que veio me procurar pensando que eu fazia macumba." A vinda mais recente ao Brasil foi em 2000, numa turnê meio esquisita. Alice, mais os dinossauros progressivos Alan Parsons e Jon Anderson integraram a turnê British Rock Simphony, com orquestra de 30 músicos e coral de 10 vozes, no mesmo Credicard Hall. "Foi divertido tocar com Alan e Jon, mas eu prefiro fazer meu próprio show. É isso que vocês verão desta vez: uma banda de hard rock de verdade, com muita entrega e barulho no palco." A fórmula para o bom rock’n’roll é essa, segundo o veterano. Só a fórmula do golfe não é assim tão simples. "Se você vai começar no golfe, procure a ajuda de um profissional. É o que aconselho. O golfe não é tão simples assim."

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