"Alguma Crítica" é destaque entre lançamentos

Na coluna desta sexta-feira, destacam-se o livro Alguma Crítica, do crítico e professor da USP João Alexandre Barbosa, a reedição de Incidente em Antares, de Erico Veríssimo, e a pesquisa da historiadora Keila Grinberg sobre a vida do abolicionista Antônio Pereira Rebouças. Clássicos em visão críticaJoão Alexandre Barbosa, um dos maiores críticos literários do país e autor de vários títulos, entre eles Biblioteca Imaginária e Entrelivros, lança agora Alguma Crítica. O novo livro abre a coleção Crítica Hoje. Nesta antologia de ensaios, João Alexandre Barbosa aborda um tema central para a modernidade, que adquire contornos perturbadores nesse início de século em que vivemos, pois exige do escritor e de seus leitores a tarefa de "instaurar um espaço de reflexão capaz de insinuar o modo pelo qual o social e o histórico passam a ser percebidos como elementos interiorizados pelas tensões construtivas do texto artístico". O livro divide-se em três partes, passando por Machado de Assis, José Veríssimo, Miguel de Cervantes, Dostoiévski, Ítalo Calvino, Eça de Queirós, Antônio Cândido, Jorge Luiz Borges, Paul Valéry, João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos, entre outros.Alguma Crítica - Ateliê Editorial, 336 páginas. R$ 36,00. O drama do migrante em novo romanceA apresentação do livro é do jornalista José Nêumanne, ele também do Nordeste (Uiraúna, na Paraíba). Diz Nêumanne: "Zezito, o protagonista do romance O Cão Chupando Manga, de Joyce Cavalcante, é igualzinho a qualquer um de nós. Como qualquer migrante feito ele, egresso do Ceará e desembarcado no Sul Maravilha, é capaz de se defender da hostilidade do ambiente ao seu redor, aprendendo muitos truques e fazendo disso uma arma não apenas de sobrevivência, mas também de autopromoção. Trata-se de um self made man (com o perdão da palavra) típico, da estripe daqueles espertalhões que se aproveitam das brechas que se abrem à sua frente para cavar à unha seu próprio espaço de terra".A escritora cearense Joyce Cavalcante é conhecida como autora de livros, no mínimo, polêmicos. Seus temas são sempre transgressores, como a sexualidade feminina, a luta da mulher para se firmar num mercado de trabalho adverso, os problemas enfrentados por elas quando tentam sobreviver em um mundo projetado pelos moldes masculinos e a eles serviente. Em O Cão Chupando Manga ela confirma essa tendência. O Cão Chupando Manga - Bertrand Brasil, 332 páginas, R$ 32,00.A história de 100 cidades históricasEstá nas livrarias o segundo título de uma coleção de muito sucesso ? Os 100 Mais. Trata-se de 100 Cidades que Mudaram a História do Mundo, de Chrisanne Beckner, traduzido por Vera S. Rossi.Em seu livro, Chrisanne Beckner mostra que, se hoje temos metrópoles consideradas capitais do mundo, como Nova York, Paris e Londres, há séculos atrás acontecimentos históricos centrais se davam em lugares como Roma, Atenas, Pequim, Esparta, Moscou, Tóquio, Florença, Berlim, Lisboa, entre tantas outras.100 Cidades que Mudaram a História do Mundo - Prestígio Editorial, 214 páginas. R$ 36,90. Incidente em Antares é reeditadoA ação de Incidente em Antares inicia-se na pré-história. Depois, dando um salto milenar, a narrativa vai a 1831, data de fundação da imaginária cidade de Antares, situada ao norte de São Borja, às margens do rio Uruguai. Em toda a primeira parte do livro, que acaba de ser reeditado, Erico Veríssimo narra a história dessa localidade, bem como a das duas oligarquias rivais que a dominam política e economicamente, até chegar ao dramático "incidente" de sexta-feira, 13 de dezembro de 1963: a greve dos coveiros. A segunda parte, de muito menor duração cronológica, mostra o incidente propriamente dito e suas conseqüências. Os mortos insepultos adquirem vida e passam a vasculhar o dia-a-dia dos parentes e amigos, descobrindo a extrema podridão moral da sociedade. Lançado em 1971, nos anos do chamado milagre brasileiro, Incidente em Antares reduz à sua verdadeira tacanhice a pseudograndeza de alguns heróis oficiais brasileiros. Erico Verissimo considerava seu livro uma espécie de estuário em que desaguam várias de suas tendências e características como escritor. "Dessa vez, abri a veia da sátira e deixei seu sangue escorrer livre e abundantemente", confessava ele. Incidente em Antares - Globo, 472 páginas, R$ 32,00.Trajetória de RebouçasEm O Fiador dos Brasileiros, a historiadora Keila Grinberg faz uma análise da biografia de Antônio Pereira Rebouças, um dos principais defensores do abolicionismo. O livro mostra um pouco do que era ser negro ou pardo no Brasil oitocentista, que ainda convivia com o trabalho escravo. Explora também a questão de adoção de políticas afirmativas para o combate ao racismo e coloca no centro do debate a questão das identidades raciais no país. A autora acompanha a trajetória do político e advogado Rebouças desde o seu nascimento, em 1798, até sua morte, em janeiro de 1880. Analisa como o mulato Antonio Pereira Rebouças, filho caçula da mulata Rita dos Santos e do português Gaspar Pereira Rebouças, transformou-se num dos maiores especialistas em direitos civis do país, além de pai do engenheiro abolicionista André Rebouças. O Fiador dos Brasileiros descreve como as modestas posses da família levaram Rebouças a trabalhar como escriturário em Salvador - de tanto lidar com leis, tornou-se rábula, doutor sem diploma. O Fiador dos Brasileiros - Civilização Brasileira, 350 páginas, R$ 39,00.

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